Mundo Donald Trump não atacou o Irão para evitar morte de 150 pessoas

Donald Trump não atacou o Irão para evitar morte de 150 pessoas

O presidente dos Estados Unidos explicou no Twitter que decidiu cancelar o ataque contra o Irão quando lhe foi comunicado que provocaria a morte de 150 pessoas, o que considerou não ser "proporcional" ao ataque do Irão contra um drone norte-americano não tripulado.
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Depois de a imprensa internacional ter noticiado esta sexta-feira que os Estados Unidos cancelaram um ataque contra o Irão à última hora, na noite de ontem, o líder da Casa Branca decidiu esclarecer o que esteve por trás da mudança de planos.

 

Recorrendo ao Twitter, Donald Trump explicou que, minutos antes do ataque planeado, lhe foi comunicado que deveria vitimar 150 pessoas, o que o levou a considerar que era "desproporcional" em relação às consequências do ataque contra um drone norte-americano pelo Irão, e a ordenar a suspensão.

 

O ataque, planeado para a última noite, era uma retaliação contra o Irão, que abateu um drone norte-americano não tripulado em águas internacionais, depois de os Estados terem acusado Teerão do ataque a dois petroleiros no Golfo de Omã.

 

"Na segunda-feira, eles abateram um drone não tripulado em água internacionais. Preparámo-nos para retaliar ontem à noite em três sítios diferentes quando perguntei quantas pessoas morreriam. 150 pessoas, senhor, foi a resposta de um general. 10 minutos antes do ataque, travei-o", conta Trump.

 

E acrescenta, num outro tweet: "Não era proporcional a um ataque contra um drone não tripulado. Não tenho pressa. As nossas forças militares estão recuperadas, são novas e estão preparadas, de longe as melhores do mundo. As sanções estão a ter impacto e foram implementadas mais ontem à noite. O Irão não pode ter armas nucleares NUNCA. Não contra os EUA, e não contra o MUNDO!".

A imprensa internacional avançava esta manhã que não eram conhecidos os motivos que levaram os Estados Unidos a abortar o ataque, que teria múltiplos alvos dentro do território iraniano.

 

O ataque foi decidido depois de o Irão ter anunciado que destruiu um drone de espionagem americano que circulava no seu espaço aéreo, esta quinta-feira, 20 de junho. O episódio foi confirmado pelo Pentágono na mesma manhã e, já da parte da tarde, chegou uma primeira reação do presidente dos Estados Unidos: o "Irão cometeu um erro muito grande!", escreveu no Twitter.

 

Horas depois, o líder da Casa Branca mudou o tom, e optou por desvalorizar o incidente: "Imagino que tenha sido um general ou alguém que tenha cometido um erro ao abater o drone por engano. É difícil acreditar que tenha sido intencional. Pode ter sido alguém estúpido", disse Trump na Sala Oval.

 

Do lado do Irão, a tónica foi mais severa: "Nós defenderemos o espaço aéreo do Irão e as fronteiras marítimas com tudo o que pudermos", declarou o secretário-geral do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Shamkhani, citado por uma agência de notícias controlada pelo governo. Já o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mohammad Javad Zarif, respondeu às alegações dos americanos de que o drone estaria a sobrevoar águas internacionais: "Vamos levar esta nova agressão perante a ONU e mostrar que os Estados Unidos mentem quando dizem que o drone estava sobre águas internacionais", escreveu no Twitter. "Os Estados Unidos sujeitaram o Irão ao seu terrorismo económico, realizaram ações clandestinas contra nós e agora estão a invadir o nosso território", reforçou.

 

Dias antes de o drone americano se ter tornado o foco das tensões entre os dois países, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, acusou o Irão de ser "responsável" pelos ataques contra dois petroleiros no mar de Omã, após anteriores incidentes com quatro navios, incluindo três petroleiros, ao largo dos Emirados Árabes Unidos. Há apenas dois dias, os EUA decidiram enviar cerca de mil militares suplementares para o Médio Oriente em contexto de tensões acrescidas com o Irão, anunciou o chefe do Pentágono, Patrick Shanahan.

A crispação entre os Estados Unidos e o Irão aumentou desde que o Presidente Donald Trump retirou os Estados Unidos, há um ano, do acordo nuclear internacional assinado, em 2015, entre os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança – Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China (mais a Alemanha) – e o Irão, restaurando sanções devastadoras para a economia iraniana.




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