Mundo Construtora Andrade Gutierrez admite corrupção na campanha de Dilma

Construtora Andrade Gutierrez admite corrupção na campanha de Dilma

A segunda maior empresa de construção do Brasil, a Andrade Gutierrez, confessou em tribunal que financiou de forma ilícita a campanha eleitoral da actual Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, através de contratos fictícios.
Construtora Andrade Gutierrez admite corrupção na campanha de Dilma
Reuters
Liliana Borges 01 de março de 2016 às 20:57

A segunda maior empresa de engenharia e construção do Brasil, a Andrade Gutierrez, admitiu em tribunal que pagou despesas com os fornecedores da campanha eleitoral da actual presidente do Brasil, Dilma Rousseff (na foto), escreve o jornal a Folha de São Paulo, citado pela Reuters.

A confissão foi feita por 11 executivos da empresa que afirmam que as transferências foram feitas através de contratos fictícios de prestação de serviços. 

Segundo as 11 testemunhas do processo, o pagamento foi feito através de um pedido directo de um dos coordenadores da campanha do Partido dos Trabalhadores (PT), liderado por Dilma. Para criar um aspecto de regularidade do processo, a Andrade Gutierrez criou um contrato fictício com a empresa de comunicação Pepper, que à época terá custado 5 milhões de reais, mais de 1 milhão de euros.

Esta revelação acontece uma semana depois de o chefe de campanha de Dilma Rousseff se ter entregado às autoridades depois de ter sido emitido um mandato de captura, e poderá dar agora uma nova força ao pedido de destituição de Dilma feito pela oposição do Governo, devido às suspeitas de ilícitos orçamentais com as contas públicas em 2014 durante o seu segundo mandato.

O jornal brasileiro recorda que esta informação acontece num momento de "grande fragilidade do governo", que anunciou esta segunda-feira a troca do ministro da Justiça.

O Ministério Público Federal de Brasília não confirmou ainda os dados agora tornados públicos e afirma que não pode nem irá comentar o caso até aprovação do Supremo Tribunal.

Os executivos revelaram ainda que foram pagos subornos para vencer contratos em projectos de obras públicas, incluindo o projecto da estação de energia nuclear Angra 3, da barragem hidroeléctrica Belo Monte e de três estádios construídos para o Mundial de futebol acolhido em 2014 pelo Brasil. 

Num cenário traçado no início deste ano por um grupo de analistas económicos da revista britânica The Economist, o mais provável é que a Presidente brasileira se mantenha em funções até ao fim do seu mandato. Os especialistas não deixam no entanto de destacar que a sua destituição e afastamento poderiam ser sinónimos de melhores resultados no combate à crise económica.




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