Mundo Escândalos perseguem homens poderosos (e uma mulher) em Davos

Escândalos perseguem homens poderosos (e uma mulher) em Davos

O Fórum Económico Mundial em Davos deste ano também dará visibilidade à humilhação pública de alguns de seus maiores defensores. Dezenas de executivos do passado e do presente sofreram acusações como assédio sexual, má gestão e má conduta financeira.
Escândalos perseguem homens poderosos (e uma mulher) em Davos
Bloomberg
Bloomberg 22 de janeiro de 2019 às 09:00

São tempos incómodos para os arquetípicos homens de Davos — e para pelo menos uma mulher.

Estabelecido em 1971 para apoiar uma perspetiva capitalista e global do futuro, o Fórum Económico Mundial em Davos deste ano também dará visibilidade à humilhação pública de alguns de seus maiores defensores. Dezenas de executivos do passado e do presente sofreram acusações como assédio sexual, má gestão e má conduta financeira.

Em vez de circular novamente pelo evento, Carlos Ghosn está preso no Japão, acusado de mau uso do dinheiro da Nissan Motor, o que o próprio nega. Martin Sorrell, outra figura do evento ao longo da última década, não está na lista de participantes. Afastou-se da sua agência de publicidade, a WPP, em abril, sob alegações de que fez mau uso dos recursos da empresa.

Outros estão de volta, apesar dos escândalos. Sheryl Sandberg, do Facebook, marcará presença no que será pelo menos o 11.º ano consecutivo, mesmo estando a enfrentar perguntas sobre o seu papel em diversas polémicas. Greg Jensen, da Bridgewater, que negou veementemente as acusações de assédio sexual, também está na lista, assim como o multimilionário chinês Richard Liu, que foi detido mas não indiciado num caso de violência sexual no Estado americano de Minnesota.

"Davos reflete e define a cultura", disse Davia Temin. A consultoria de gestão de crise para a qual trabalha fez um levantamento que identificou mais de 1.000 indivíduos, a maioria do sexo masculino, acusados de assédio ou outras infrações no último ano. O levantamento incluiu pelo menos 25 homens que irão ou já foram ao evento na Suíça. "Eles refletem a cultura de liderança e olhar ao espelho às vezes ajuda a iniciar essa discussão".

Embora as atenções se voltem para os participantes mais famosos, toda a comunidade global de negócios representada em Davos foi alvo de acusações abrangentes, incluindo sexismo, assédio, falta de proteção da privacidade, ambiente de trabalho hostil, além das queixas crescentes de preconceito contra profissionais mais velhos.

Nesta semana, cerca de 3.000 executivos, celebridades, líderes mundiais e agentes de mudança vão estar à procura de soluções. O segundo tema de aprendizagem mais badalado nesta edição envolve questões de capital humano, o que incluirá assédio, de acordo com uma participante que está a delinear a sua agenda no evento. O tema mais popular é a segurança cibernética.

"O ponto de partida de tudo o que Davos já fez, segundo as nossas pesquisas, é algum tipo de crítica ao capitalismo ou à elite global", disse Markus Giesler, especialista em sociologia do consumidor que dá aulas de marketing na Faculdade de Administração Schulich da Universidade York, em Toronto. Este ano, o movimento MeToo e a má conduta corporativa  juntam-se às alterações climáticas e à desigualdade entre as questões nas quais Davos tem oportunidade de demonstrar liderança, segundo o professor.

Este ano, 22% dos participantes em Davos são do sexo feminino, que comparam aos 15% em 2014, de acordo com o Fórum Económico Mundial. Essa composição reflete o quadro geral de oportunidades globais para mulheres. De acordo com um estudo divulgado pelo Fórum no mês passado, ainda deve demorar um século para haver igualdade de género em termos de salário e poder.

Por outro lado, as mulheres presentes são mais poderosas do que as que vinham no passado porque agora conseguem cargos mais altos em empresas e governos, ressalta Pat Milligan, sócia sénior e líder global da plataforma When Women Thrive, da consultoria de recursos humanos Mercer.

As alegações de má conduta terão pelo menos um impacto tangível em Davos este ano. O multimilionário russo Oleg Deripaska, que marca presença há pelo menos 11 anos, aparentemente está a fazer concessões após suspeitas sobre o seu vínculo com o presidente Vladimir Putin, que por sua vez é acusado de interferir nas eleições dos EUA.

Após passar boa parte do ano passado sob sanções económicas impostas pelo governo americano, Deripaska talvez apareça no Fórum Económico Mundial esta semana. De qualquer forma, há relatos de que foi suspenso o evento que o multimilionário oferecia regularmente a executivos e líderes mundiais, convidando sempre belíssimas mulheres russas para animar a festa.




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