Mundo Acordo EUA-China já foi assinado. Trump critica antecessores e celebra momento "histórico"

Acordo EUA-China já foi assinado. Trump critica antecessores e celebra momento "histórico"

Os Estados Unidos e a China assinaram a fase um do acordo comercial, confirmando o atenuar da tensão entre as duas maiores economias do mundo.
Tiago Varzim 15 de janeiro de 2020 às 17:22
Um mês após o anúncio de que havia acordo, o documento foi assinado. Nesta quarta-feira, 15 de janeiro, tal como o presidente norte-americano tinha anunciado, os EUA e a China oficializaram a fase um do acordo comercial. 

Na cerimónia está Donald Trump, o vice-presidente Mike Pence, o secretário do Tesouro Steven Mnuchin e o representante dos EUA para o comércio Robert Lighthizer. Do lado chinês, a comitiva é liderada pelo vice-primeiro-ministro Liu He.

No discurso inicial, Trump disse que este acordo comercial é "histórico", agradeceu ao presidente chinês, Xi Jinping, e anunciou que vai à China em breve. E não deixou de atacar os seus antecessores ao dizer que este acordo "deveria ter acontecido há 25 anos". "Eu não culpo a China, eu culpo os nossos presidentes", disse o atual presidente norte-americano, argumentando que os chineses "faziam o que queriam". 

Numa longa lista de agradecimentos, o presidente norte-americano felicitou os presentes e até chegou a questionar Robert Lighthizer, um dos negociadores, sobre se chegar a acordo tinha sido mais difícil do que previa. A resposta foi afirmativa.

Mas haverá mais para negociar. Donald Trump garantiu que a negociação da fase 2 vai começar e prometeu retirar todas as tarifas impostas aos bens chineses se houver acordo. O próprio admitiu que teve de manter as tarifas de forma a ter "cartas para negociar" nesta segunda fase.  Em princípio não haverá uma fase 3, acrescentou. 

"Algumas pessoas em Wall Street vão adorar [a retirada total das tarifas]", comentou Trump, referindo que essa fase terá de incluir a abertura da economia chinesa às empresas norte-americanas. 

Durante a assinatura do acordo, as bolsas norte-americanas acentuaram os ganhos e atingiram máximos históricos. A subida dos mercados bolsistas também foi referida por Trump no seu discurso, referindo-se às declarações do seu conselheiro Larry Kudlow que tendem a ter impacto nos investidores. Segundo o presidente norte-americano, os índices norte-americanos marcaram recordes em mais de 100 dias desde que está na Casa Branca. 

Numa carta lida por uma intérprete na Casa Branca, o presidente chinês, Xi Jinping, pediu boa fé para o cumprimento do acordo. "Espero que os EUA tratem de forma justa as empresas chinesas", disse, referindo que será necessária "colaboração de entidades dos dois países". "Este é um acordo positivo para a China, os EUA e o mundo", garantiu.

Num discurso posterior, o vice-primeiro-ministro Liu He garantiu que o acordo está em linha com as práticas da Organização Mundial do Comércio (OMC). O número dois do regime chinês garantiu que a China irá "honrar estritamente" a fase um do acordo comercial, garantindo que a economia irá abrir-se mais ao exterior.

O que está no acordo?
Apesar de ter sido anunciado há um mês, não foi adiantado oficialmente no que consistia o acordo. Esta quarta-feira, 15 de janeiro, a CNBC divulgou um pdf com 98 páginas com o conteúdo do "acordo económico e comercial" entre os EUA e a China, o qual confirma algumas notícias que já tinham sido adiantadas. 

A mensagem geral é que as duas maiores economias do mundo acertaram as agulhas em alguns pormenores e, principalmente, concordaram em não agravar o conflito comercial. Contudo, os assuntos mais complicados continuam por resolver entre Washington e Pequim. 

Em termos das divisas, o acordo diz que os dois países terão de evitar manipulações do mercado cambial, deixando as forças de mercado atuar. Caso haja problemas, a resolução do conflito terá a ajudar da avaliação técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI). Esta semana os EUA retiraram a China da lista "negra" de países que manipulam a moeda, após em agosto ter tomado a decisão de colocar o país nessa lista. 

Em termos de taxas aduaneiras, os EUA suspenderam tarifas que iam entrar em vigor em dezembro e reduziram para metade a tarifa de 15% que incide sobre bens chineses avaliados em 110 mil milhões de dólares. Em posteriores fases do acordo comercial poderá haver espaço para mais reduções de tarifas alfandegárias, dado que ainda existem bens chineses avaliados em 250 mil milhões de dólares com uma taxa de 25%.

Já a China tem vindo a baixar algumas tarifas retaliatórias, mas a principal moeda de troca será a compra de mais bens e serviços norte-americanos. No total, a China terá de comprar mais aos EUA num total de 200 mil milhões de dólares em dois anos. Dentro desse total estão, por exemplo, 80 mil milhões de dólares para bens que incluem carros e aviões e ainda os muito falados 32 mil milhões de dólares em bens alimentares.
 
De acordo com a Bloomberg, as autoridades chinesas terão também de parar uma prática comum de exigirem às empresas estrangeiras para transferirem a tecnologia para as empresas chinesas para terem acesso ao mercado interno. 

Os analistas estão céticos quanto ao cumprimento destas metas ambiciosas. Caso os compromissos não sejam cumpridos, o assunto será debatido num grupo de trabalho partilhado entre os EUA e a China, podendo abrir a porta a medidas penalizadoras (incluindo tarifas). 

Após a assinatura da fase um, as equipas negociais dos dois países deverão começar a preparar as negociações da fase dois do acordo comercial. Para já, a expectativa é que a maioria das tarifas norte-americanas sobre os bens chineses se mantenha até às eleições norte-americanas que se realizam em novembro deste ano.

(Notícia atualizada às 18h18 com mais pormenores sobre o acordo)



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