Mundo EUA enviam negociadores à China para conversações cara a cara

EUA enviam negociadores à China para conversações cara a cara

A Casa Branca decidiu enviar para a China elementos responsáveis pela negociação de um acordo comercial com Pequim no sentido de serem retomadas conversações cara a cara, avança a imprensa internacional.
EUA enviam negociadores à China para conversações cara a cara
Reuters
David Santiago 23 de julho de 2019 às 20:13
As negociações entre os Estados Unidos e a China vão ser retomadas nos próximos dias e as conversas vão decorrer presencialmente, isto porque a Casa Branca decidiu enviar para Pequim responsáveis americanos pelas conversações destinadas a forjar um acordo que permita equilibrar a relação comercial entre as duas maiores economias mundiais. No entanto, os negociadores americanos mostram-se pessimistas quanto às possibilidade de um acordo rápido. 
 
Órgãos de comunicação social internacionais tais como a Bloomberg e a CNBC adiantam que a Casa Branca vai enviar para Pequim o representante americano para o comércio, Robert Lighthizer, bem como outros membros seniores da administração chefiada pelo presidente Donald Trump com o objetivo de superar o impasse em que persistem as negociações e criar condições para um compromisso. 

A Bloomberg avança que a equipa liderada por Lighthizer chega a território chinês já na próxima segunda-feira, permanecendo em Shanghai (as autoridades chinesas terão pedido que as conversas decorram nesta cidade e não na capital Pequim) pelo menos até quarta-feira. Já a fonte anónima citada pela CNBC afiança que as negociações decorrem algures entre a próxima sexta-feira e a quinta-feira seguinte. 

O que parece certo é que, do lado americano, as expectativas estão em baixa, porque as fontes citadas tanto pela Bloomberg como pela CNBC referem que só será possível obter um acordo final num período em torno de seis meses. 

 
Trump e o homólogo chinês, Xi Jinping, estiveram reunidos à margem da última cimeira do G20, que decorreu no Japão, no final do mês passado, com o objetivo de ultrapassar o bloqueio negocial em que se mantém o diálogo EUA-China desde maio último. E apesar de então ambos terem feito afirmações que indiciavam boas perspetivas quanto a um regresso à mesa de negociações, a verdade é que desde então não houve qualquer tipo de avanço. 

No período que decorreu entretanto, Washington cumpriu uma das promessas de Trump ao ratificar um novo acordo de livre-comércio na América do norte (NAFTA) com o México e o Canadá. 

A impedir um acordo que permita aos Estados Unidos reduzir o enorme défice que mantém nas trocas comerciais bilaterais com a China, e que possibilite a Donald Trump cumprir o principal objetivo da sua agenda protecionista e anti-multilateralismo, continuam os principais obstáculos identificados à partida.

Washington exige a Pequim reformas económicas estruturais que garantam condições mínimas de reciprocidade às empresas americanas, enquanto as autoridades chinesas exigem que os EUA levantem as tarifas aduaneiras agravadas impostas à importação de bens chineses pela administração Trump.

Nesta fase o grande objetivo chinês passa pelo levantamento total das restrições impostas à negociação das empresas americanas com a tecnológica chinesa Huawei (depois de conversar com Xi, Trump aceitou levantar parte da proibição decretada). 

Atualmente, estão em vigor tarifas aduaneiras reforçadas sobre 250 mil milhões de dólares de bens importados da China. Já Pequim mantém taxas agravadas sobre 110 mil milhões de dólares de produtos oriundos dos EUA. 

O não regresso ao diálogo tem alimentado, nos mercados, a crescente desconfiança quanto às probabilidades de um acordo entre as partes. Por outro lado, têm surgido atualizações em baixa das projeções económicas devido ao receio do impacto de uma espiral protecionistas para a economia global. 

FMI dá razão a Trump
Habituado a ser desmentido pelos números e pela realidade, desta feita Donald Trump viu o Fundo Monetário Internacional (FMI) dar razão a uma das suas principais narrativas, no caso a de que a disputa comercial há mais de um ano em curso está a prejudicar mais a China do que os EUA. 

Esta terça-feira, o Fundo apresentou as suas perspetivas económicas atualizadas onde nota que o abrandamento na economia mundial está sobretudo concentrado nas economias emergentes. Se revê em alta de 2,3% para 2,6% a estimativa para o crescimento do PIB dos EUA em 2018, o FMI baixa a projeção para a economia chinesa de 6,3% para 6,2%.

A instituição liderada por Christine Lagarde sustenta que a conjuntura económica se deteriorou devido a vários factores, designadamente a disputa comercial, a incerteza quanto ao desfecho do processo do Brexit e as sanções americanas ao Irão e respetivo impacto nos preços do petróleo. 




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