Mundo FMI apoia crítica do Tesouro dos EUA ao excedente comercial da Alemanha

FMI apoia crítica do Tesouro dos EUA ao excedente comercial da Alemanha

Para cortar os défices excessivos nos países do euro, é preciso que outros reduzam os excedentes, apontou o vice-director geral do FMI, juntando-se assim ao Tesouro dos Estados Unidos nas críticas à Alemanha.
FMI apoia crítica do Tesouro dos EUA ao excedente comercial da Alemanha
Bloomberg
Nuno Carregueiro 01 de novembro de 2013 às 12:03

A Alemanha poderia fazer mais para contribuir para a estabilização da economia da Zona Euro se aumentasse o consumo interno e em consequência as exportações, defendeu David Lipton, vice-director geral do Fundo Monetário Internacional, que apelou a uma descida do excedente comercial da Alemanha para um valor “apropriado”.

 

Esta redução do excedente alemão, fortemente impulsionada pelo crescimento das exportações e fraco crescimento do consumo interno, serviria para os países com problemas de desequilíbrios comerciais, melhorarem os seus défices externos, argumentou o responsável do FMI, que deste modo se coloca ao lado do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.

 

“O excedente comercial reflecte a forte competitividade da economia alemã e a procura internacional de produtos alemães”, argumentou o ministro da Economia e Tecnologia, Philipp Rösler. Esta resposta surge no seguimento da crítica feita pelo Tesouro norte-americano, num relatório publicado na quarta-feira, à política económica alemã virada para as exportações. Este relatório conclui que esta política obrigou os países da periferia a um ajustamento excessivo.  

 

Num discurso proferido na Academia Americana de Berlim, David Lipton disse quinta-feira à noite que um excedente de conta corrente “significativamente mais reduzido era útil” no caso da Alemanha. Cortar défices excessivos na Zona Euro “não pode ser possível a menos que os excedentes também desçam”, argumentou.

 

A Alemanha é a terceira economia que mais exporta no mundo, sendo um forte parceiro comercial sobretudo dos países europeus, onde em muitos casos ocupa o posto de maior fornecedor de bens e serviços.

 

Esta crítica do Tesouro dos EUA à política económica seguida pela Alemanha vem aumentar a tensão entre dois países. Na semana passada foi amplamente noticiado que os serviços secretos norte-americanos mantinham sob escuta o telefone pessoal de Merkel desde 2002, enquanto a democrata-cristã ainda era líder da oposição. Agora as mútuas críticas no que às políticas económicas diz respeito são um novo foco de tensão que pode comprometer o relacionamento de grande cumplicidade política e económica que vem desde 1945.

 

 Apesar de vários responsáveis norte-americanos terem sugerido, por diversas vezes, a opção por maior investimento na economia como forma de superação da crise, esta é a primeira vez que a Administração norte-americana assume publicamente uma postura tão crítica relativamente à Alemanha, nota o "Wall Street Journal".




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