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França está “preparada” para intervir na Síria ao lado dos Estados Unidos

François Hollande avisou que “o massacre químico não pode ficar impune” e anunciou a inclinação de Paris por “uma acção proporcionada e firme contra o regime de Damasco”. O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, fará uma declaração esta sexta-feira à tarde e Serviços de Informação norte-americanos divulgam um relatório sobre os ataques de 21 de Agosto.

David Santiago dsantiago@negocios.pt 30 de Agosto de 2013 às 16:11
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Depois do Parlamento inglês ter votado contra uma participação britânica numa eventual operação militar na Síria, François Hollande, presidente francês, em entrevista, publicada esta sexta-feira, ao jornal “Le Monde”, considerou como “um dado adquirido” a utilização de armas químicas, pelo regime de Assad, no ataque do passado dia 21 de Agosto. Depois de reconhecer que “existem poucos países com capacidade para infligir o tipo de sanções apropriadas”, assumiu que “França será um destes países” e, como tal, “estamos preparados e iremos decidir a nossa posição em colaboração próxima com os nossos aliados”.

 

Hollande lamenta que o “Conselho de Segurança esteja bloqueado há dois anos”, mas vaticina que será formada uma coligação internacional, “o mais ampla possível”, que deverá “coordenar-se com a Liga Árabe”. “Eu não falaria de uma guerra, antes de uma sanção à violação monstruosa dos direitos humanos. Será uma acção de carácter dissuasório, porque não actuar significaria deixar fazer. Uma resposta terá de impor uma solução política”, resumiu quando confrontado com os reais objectivos de uma eventual intervenção em território sírio.

 

Depois de Cameron garantir que irá respeitar a votação, feita no Parlamento, contrária a uma acção militar contra Assad, Hollande considerou que “cada país é soberano para participar, ou

Eu não falaria de uma guerra, antes de uma sanção à violação monstruosa dos direitos humanos. Será uma acção de carácter dissuasório, porque não actuar significaria deixar fazer. Uma resposta terá de impor uma solução política
 
François Hollande
Presidente francês

não, numa operação”. O Presidente gaulês aproveitou para anunciar que irá conversar, esta sexta-feira, com o Barack Obama, Presidente norte-americano. Ao longo desta entrevista, Hollande deixou transparecer que uma eventual intervenção deverá contar com a participação francesa e americana enquanto líderes da operação.

 

Depois da votação na Câmara dos Comuns ter sido desfavorável às pretensões iniciais de Cameron, que defendia uma acção militar contra Damasco, a Administração americana, de acordo com o “Washington Post”, tentou deixar vincada a “autoridade e determinação” do Presidente Obama para tomar uma decisão sobre o problema sírio. Num documento oficial da Casa Branca, distribuído ao final do dia, garantia-se que, apesar de tudo, os “Estados Unidos vão continuar em consulta com o Governo do Reino Unido”.

 

Entretanto a Reuters anunciou que os Serviços de Informação americanos irão divulgar um relatório, ainda esta sexta-feira, sobre os ataques com recurso a armamento químico. Recorde-se que esta semana, a revista americana “Foreign Policy” publicou que os serviços de inteligência americanos teriam interceptado, segundo um elemento dos serviços de informação americanos, uma conversa telefónica entre um oficial do Ministério da Defesa sírio e um líder da unidade de armamento químico síria, em que o oficial do Ministério exigia respostas sobre um ataque com recurso a armas químicas.

 

Também ao longo desta sexta-feira, o Conselho de Segurança das Nações Unidas voltar-se-á a reunir, desta feita com a presença de Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas. Deverá tratar-se de uma reunião de caracter consultivo, uma vez que não se aguardam decisões definitivas, pelo menos até que os inspectores da ONU, que se encontram em Damasco, divulguem os resultados preliminares da investigação ao bombardeamento, nos arredores da capital síria, no dia 21 de Agosto. Os inspectores vão abandonar a Síria no próximo sábado e nesse mesmo dia vão anunciar as primeiras conclusões sobre a investigação iniciada esta segunda-feira. 

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