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Frente Polisário rejeita Luís Amado para representante da ONU no Saara Ocidental

"Este [Luís Amado] não é o primeiro candidato a ser rejeitado, é o enésimo", desabafou um diplomata das Nações Unidas à AFP.

Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 16 de Abril de 2021 às 00:07
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A Frente Polisário rejeitou o nome do português Luís Amado para representante das Nações Unidas na mediação do conflito no Saara Ocidental, posição que se encontra desocupada há quase dois anos, avançou hoje a agência France-Presse (AFP).

A agência de notícias francesa cita "fontes diplomáticas" que pediram anonimato e lembra que diversos outros contactos efetuados nos últimos dois anos "também fracassaram".

"Este [Luís Amado] não é o primeiro candidato a ser rejeitado, é o enésimo", desabafou um diplomata das Nações Unidas à AFP.

Segundo "vários outros diplomatas", Luís Amado foi o último 'candidato' ao cargo a ser rejeitado pela Frente Polisário, após analisar declarações do antigo ministro dos Negócios Estrangeiros e da Defesa Nacional, nos Governos de José Sócrates, que considerou terem "uma inclinação a favor de Marrocos".

"É exagerado", disse à AFP um dos diplomatas, enquanto outra fonte da agência considerou que o facto de o nome de Luís Amado ter sido apoiado por Rabat "era motivo suficiente para ter oposição dos saharauis".

Ainda segundo uma fonte diplomática da ONU, "os EUA estão a pressionar" para que seja encontrado um emissário para as negociações relativamente ao Saara Ocidental.

A abordagem da administração do democrata Joe Biden contrasta com a do ex-presidente republicano, Donald Trump, que no final do seu mandato, em dezembro, reconheceu a soberania de Marrocos nos territórios do Saara Ocidental, reclamados pela Frente Polisário.

A decisão de Trump não foi acolhida pelas Nações Unidas, que continuam a centrar-se nas resoluções adotadas há cerca de 30 anos para a região.

A próxima reunião do Conselho de Segurança da ONU para discutir a questão do Saara Ocidental está agendada para quarta-feira.

No conflito do Saara Ocidental, que dura há várias décadas, a Frente Polisário reclama a realização de um referendo, agendado pela ONU em 1991, enquanto Marrocos, que controla 80% daquele vasto território, propõe um plano de autonomia sob a sua soberania.

A questão agudizou-se em novembro, após os separatistas saharauis terem interrompido o cessar-fogo em vigor desde 1991, em resposta a uma operação militar marroquina numa zona tampão no extremo sul do Saara Ocidental.

No início deste mês, Addah Al-Benfdir, chefe da polícia da Frente Polisário, foi morto num inédito ataque de drones em Marrocos, segundo os saharauis, informação que ainda não foi confirmada por entidades independentes.
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