Mundo Irão "não quer" mas "pode" fechar canal vital para o mercado de petróleo

Irão "não quer" mas "pode" fechar canal vital para o mercado de petróleo

Em época de crescente tensão com os Estados Unidos, o Irão avança com uma nova ameaça: o ministro dos Negócios Estrangeiros relembra o poder que o país tem em relação a um dos principais centros de comércio de petróleo, o estreito de Hormuz.
Irão "não quer" mas "pode" fechar canal vital para o mercado de petróleo
Reuters
Negócios 18 de julho de 2019 às 10:36

O Irão apontou que tem o poder de fechar o estreito de Hormuz, um canal essencial para a comercialização de petróleo, mas ressalva que não tem o desejo de o fazer.

"Temos certamente a capacidade de o fazer, mas certamente não o queremos, pois o estreito de Hormuz e do Golfo Pérsico são o nosso meio de subsistência", declarou o ministro dos negócios estrangeiros iraniano, Mohammad Javad Zarif, numa entrevista dada à Bloomberg TV esta quarta-feira. "(Este meio de subsistência) tem de ser assegurado. Temos um papel importante em assegurá-lo, mas tem de ser da responsabilidade de todos", acrescentou.

Cerca de um terço do crude e combustíveis com origem marítima passou pelo estreito de Hormuz no ano passado, sublinhando o papel fulcral nos mercados de petróleo globais. Entre maio e junho, seis petroleiros foram atacados na região. As responsabilidades do ataque têm sido apontadas ao Irão, mas o país nega.

Os Estados Unidos têm estado a trabalhar num plano para deter as ameaças na área do estreito. Neste sentido, uma estratégia para salvaguardar as rotas dos petroleiros será revelada numa conferência de imprensa, marcada para esta terça-feira. Washington já preveniu que vai necessitar do apoio de outras nações para o plano ser bem sucedido.

A crispação entre os Estados Unidos e o Irão aumentou desde que o Presidente Donald Trump retirou os Estados Unidos, há um ano, do acordo nuclear internacional assinado, em 2015, entre os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança – Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China (mais a Alemanha) – e o Irão, restaurando sanções devastadoras para a economia iraniana.

Mais recentemente, as acusações e ataques têm-se sucedido: os Estados Unidos responsabilizam Teerão pelo ataque a dois petroleiros no Golfo de Omã e pela destruição de um drone norte-americano que operava na região. A Casa Branca já foi apelidada de "atrasada mental" pelo presidente iraniano, Hassan Rohani, e o presidente Trump admitiu ter cancelado no último momento um ataque ao Irão que causaria 150 mortes.




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