Mundo Islândia pede demissão de primeiro-ministro

Islândia pede demissão de primeiro-ministro

O primeiro-ministro islandês foi apanhado pelo Panama Papers. Na Islândia já se pede a sua demissão e haverá moção de censura no Parlamento. E manifestações à sua porta.
Islândia pede demissão de primeiro-ministro
Negócios 04 de abril de 2016 às 17:36

Em uníssono a oposição da Islândia está a pedir a demissão do primeiro-ministro Sigmundur Gunnlaugsson, apanhado no escândalo Panama Papers. Mas o responsável político já disse, a um canal de televisão islandês (Channel 2), que não tenciona demitir-se.

A oposição além de pedir a sua demissão admite avançou com uma moção de censura no Parlamento, que, segundo a Bloomberg, poderá ser votada na próxima quinta-feira. À sua porta está a haver protestos, convocados nas redes sociais. E há já 10 mil pessoas a dizer na página de convocação do Facebook que irão à manifestação.

"O Governo tem tido bons resultados. O progresso tem sido forte e é importante que o Governo possa terminar o seu trabalho", declarou, citado pela Reuters, acrescentando que "ouvirei o que quer o povo nas próximas eleições". Mas é de eleições antecipadas que a oposição reclama.

A oposição reclama conflito de interesses, dizendo que o primeiro-ministro não deveria ter ocultado a existência destes activos. O governo de coligação centro-direita está no poder desde 2013, estando envolvido na negociação com os queixosos pela falência de alguns bancos. E a empresa que agora está no centro da polémica tinha obrigações em três grandes bancos islandeses que colapsaram na crise financeira de 2008. A Wintris está listada como credora nessas falências. De acordo com a Reuters, o porta-voz do primeiro-ministro já assumiu que a firma reclama 500 milhões de coroas islandesas (cerca de 3,5 mil milhões de euros).

A divulgação de documentação da firma de advogados do Panamá, Mossack Fonseca, foi feita este domingo, 3 de Abril, naquele que é já considerada a maior fuga de informação investigada por um consórcio de jornalistas, sendo, mesmo, comparada à Wikileaks.

Os documentos divulgados mostram que Gunnlaugsson era, com a sua mulher, co-proprietário da Wintris Inc, fundada em 2007, nas Ilhas Virgens britânicas. O casal, que vivia no Reino Unido na altura, foi aconselhado a criar uma empresa num paraíso fiscal, para ficar com o dinheiro resultante das vendas de activos herdados por Pálsdóttir (mulher do primeiro-ministro).

Conforme noticia o The Guardian, Gunnlaugsson teve 50% da empresa durante mais de dois anos, tendo transferido, depois, essa posição para a mulher por um dólar. Eleito primeiro-ministro há quatro anos, Gunnlaugsson não informou o Parlamento da existência da Wintris. Quando confrontado pela televisão islandesa SVT sobre a empresa, atrapalhou-se e pôs fim à entrevista.

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Depois desta entrevista, o casal fez declarações públicas sobre o que disse ser uma intromissão dos media em assuntos privados, dizendo que os seus interesses financeiros foram sempre revelados ao Fisco. Já garantiu que não infringiu regras nem leis e que não beneficiou financeiramente dessas "offshores". 


O The Guardian diz que não viu evidência de fuga aos impostos, evasão fiscal ou ganho ilícito. Mas o primeiro-ministro assume agora ter tido uma participação na Wintris, em conjunto com a sua mulher.




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