Américas Lula já terá aceitado ser ministro de Dilma Rousseff

Lula já terá aceitado ser ministro de Dilma Rousseff

Os jornais brasileiros estão a dar como certo que Lula da Silva vai aceitar ser ministro de Dilma Rousseff, com uma forte componente política nas suas funções. A Reuters cita fonte da Presidência para dar como segura a informação.
Lula já terá aceitado ser ministro de Dilma Rousseff
Ueslei Marcelino/Reuters
Alexandra Machado 15 de março de 2016 às 15:59

Lula da Silva poderá vir a ocupar um lugar o que a Veja diz poder ser um "superministério" criado para si. Um ministério que ficaria com uma forte componente política, numa pasta com ligação directa ao Congresso e aos movimentos sociais. Os jornais brasileiros vão acrescentando informação e a Veja, que já titula "Lula aceita ser ministro", diz que falta, apenas, saber qual o ministério que ocupará: se a Secretaria de Governo, comandada por Ricardo Berzoini, ou se substituirá Jaques Wagner na Casa Civil que estão sob comando de petistas. Já a Reuters cita fonte presidencial confirmando a entrada de Lula da Silva no Governo.

Só que a cada hora que passa a situação parece tomar novos contornos. Esta terça-feira há a notícia de que a 
Procuradoria Geral da República (PGR) recebeu do senador Delcídio do Amaral uma gravação que revelaria uma tentativa de Aloizio Mercadante, ministro da Educação, de oferecer ajuda política e financeira para evitar que o parlamentar petista firmasse um acordo de delacção com benefício de pena na operação Lava Jato, no âmbito da qual foi afastado do PT, foi preso por 87 dias, mas com o acordo de delacção acabou libertado. Agora Delcídio diz que Mercadante terá tentado impedir esse mesmo acordo, no que já foi desmentido pelo ministro. Só que estas acusações poderão levar Dilma Rousseff a rever novamente os lugares ministeriáveis. E é nesse xadrez que está o eventual cargo que Lula da Silva venha a ocupar. 

De qualquer forma, qualquer que seja o cargo, os jornais brasileiros falam de uma função para que seja Lula a enfrentar a oposição nas ruas e na política. E esta tarde, num famoso blogue do jornalista Lauro Jardim, que agora está na Globo, foi noticiado que na segunda-feira, Lula da Silva avisou vários elementos do PT (Partido dos Trabalhadores) que decidiu aceitar o convite para integrar o Governo de Dilma Rousseff. A Veja acrescenta que no mesmo dia Lula da Silva terá dito a Dilma Rousseff que teria resistido a aceitar o cargo, mas que os protestos de domingo o tinham convencido do contrário e que, por isso, aceitaria ir para o elenco governativo.


Isto ocorre num momento em que o Partido dos Trabalhadores está desgastado, com um processo de destituição a pairar sob a cabeça de Dilma Rousseff e com o partido aliado PMDB a ameaçar cortar amarras. No sábado, o PMDB, partido centrista brasileiro, determinou um prazo de 30 dias para decidir se rompe ou mantém o apoio à Presidente Rousseff, além de ter decidido proibir os seus militantes de ocuparem novos cargos no Governo. Lula da Silva faria também a ligação com o PMDB.

O Globo escreve que essa seria uma das missões de Lula da Silva, tendo o ex-presidente chegado, mesmo, a falar, antes de aceitar o convite para integrar o ministério, com alguns dirigentes do PMDB. A mesma notícia diz que no Palácio do Planalto (sede presidencial) "a entrada de Lula é vista como a única saída para reverter o quadro político. Há o reconhecimento de que a presença dele esvaziaria de forma definitiva o poder da presidente Dilma e que Lula assumiria, na prática, o comando do governo".


No domingo, 13 de Março, mais de seis milhões de brasileiros - nas contas das entidades organizadoras - saíram às ruas em todos os estados, naquela que foi a maior manifestação colectiva de sempre, para protestar contra a corrupção, contra o governo de Dilma Rousseff e contra o ex-presidente, que se viu envolvido nas investigações da operação Lava Jato e que, mais recentemente, foi denunciado, e requerida a sua prisão preventiva, por alegado branqueamento de capitais e prestação de informações falsas ao Fisco por ser dono de um apartamento que não declarou.

Depois desse pedido de prisão preventiva, os jornais brasileiros começaram a noticiar a possibilidade de Lula da Silva entrar para o governo de Dilma, já que, também com essa entrada, ficaria mais protegido da alçada judicial, no que na lei brasileira se designa de foro privilegiado.

Esta terça-feira, os jornais brasileiros falam de uma reunião que vai decorrer hoje entre Lula da Silva e Dilma Rousseff. A Veja escreve que a entrada de Lula para a equipa governamental só ainda não foi anunciada porque o Governo e os advogados do ex-presidente estão a estudar as implicações dessa decisão e se esta não poderá ser vista como um entrave às investigações judiciais. 

Que implicações são essas? É que entrando para o governo, a acção de denúncia ao ex-Presidente passará para o Supremo Tribunal Federal. Deixa de estar sob a alçada de Sergio Moro, que tem todo o processo do Lava Jato, e para quem foi remetido o caso do triplex. Sergio Moro foi, aliás, um dos protagonistas das manifestações deste domingo, com o povo brasileiro a considerá-lo um herói, na luta contra a corrupção. Na segunda-feira, a juíza Maria Priscilla Ernandes, da 4.ª Vara Criminal de São Paulo, transferiu para Sergio Moro a decisão sobre a denúncia e o pedido de prisão preventiva de Lula.

A Globo acrescenta que o Palácio do Planalto já estará, até, a construir o argumento para a entrada de Lula na cena governativa. É que o Supremo Tribunal Federal tem mostrado rigor nos processos analisados, como foi o caso do mensalão. 

(Notícia actualizada às 18:50 com mais informações, nomeadamente a de fonte da presidência citada pela Reuters que confirma a entrada de Lula no Governo)




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