Mundo Milionários de Nova Iorque em carta aberta: "aumentem os nossos impostos"

Milionários de Nova Iorque em carta aberta: "aumentem os nossos impostos"

Cerca de 40 milionários que "contribuíram e beneficiaram do dinamismo económico do Estado de Nova Iorque" pedem plano contra a desigualdade.
Milionários de Nova Iorque em carta aberta: "aumentem os nossos impostos"
Bloomberg
Negócios 21 de março de 2016 às 20:01
"Somos os nova-iorquinos de altos rendimentos que apreciam a qualidade de vida do nosso Estado. Mas estamos profundamente preocupados com o facto de muitos nova-iorquinos terem de lutar para ter dinheiro, e que as debilitadas infra-estruturas do Estado precisem desesperadamente de atenção".

Assim começa a carta aberta ao governador de Nova Iorque, Andrew Cuomo, e aos legisladores do Estado. É assinada por cerca de 40 milionários que, segundo escreve esta segunda-feira o Guardian, estão a pedir a implementação de um plano que aumente os impostos entre os cidadãos com rendimentos acima de 665 mil dólares (cerca de 590 mil euros) e que mantenha as taxas reduzidas para famílias mais pobres que vão acabar no final do ano. O objectivo é financiar apoios de combate à pobreza e um plano de obras públicas.

"É uma vergonha que a pobreza infantil no estado de Nova Iorque esteja a um nível recorde, superando 50% em alguns dos nossos centros urbanos. O Estado de Nova Iorque tem um número recorde de famílias sem abrigo - mais de 80 mil pessoas - que lutam para sobreviver. E há demasiados adultos que não têm as qualificações necessárias para sobreviver na economia do século XXI", lê-se na carta.

"Agora é o momento de investir na viabilidade económica de longo prazo de Nova Iorque". Ou seja, num "forte sistema de ensino, do pré-escolar à universidade", em pontes, túneis, edifícios públicos e nas estradas "de que todos dependemos", acrescentam os cerca de 40 signatários.

Num espírito de "sacrifício partilhado", os investimentos seriam financiados pela manutenção e alargamento da taxa marginal de impostos para os que estão entre "os 1% mais ricos". Em concreto, com taxas marginais de entre 7,65% e 9,99% a aplicar a escalões de rendimentos que começam nos 665 mil dólares (cerca de 590 mil euros) e que vão até mais de 100 milhões de dólares (cerca de 89 milhões de euros). O objectivo é taxar os 1% mais ricos.

Quem são estas pessoas? De acordo com o jornal britânico, entre os signatários está Steven Rockefeller, da quarta geração da família Rockefeller; Elspeth Gilmore, que recolhe donativos de filantropia, e Joshua Mailman, filho do inventor e filantropo Joseph Mailman.

A carta foi organizada pelo think tank de esquerda Fiscal Policy Institute e pelo The Responsable Wealth Project, que se apresenta como uma rede de empresários investidores e beneficiários de heranças que estão entre os 5% mais ricos nos Estados Unidos, uma rede "que acredita que a crescente desigualdade não é do nosso interesse, nem do interesse da sociedade".

Surge numa altura em que em Nova Iorque se decide o futuro plano de impostos a aplicar, tendo como data-limite o dia 1 de Abril.

Se as taxas actuais deixarem de estar em vigor, "isso vai implicar um aumento de impostos de mil milhões de dólares (887 milhões de euros) para a classe média e um corte de 3,7 mil milhões de dólares (3,3 mil milhões de euros) para milionários como nós", lê-se na carta.

Esta não é a primeira iniciativa do género nos Estados Unidos. O investidor Warren Buffett propôs um aumento de impostos para os que classificou como mega-ricos.


(Notícia corrigida às 23:58, com rectificação do lapso numa das conversões)



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