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Moody's pode cortar ainda mais o "rating" de Angola

A agência de notação financeira avisou que é provável que em Abril desça o "rating" de Angola, sendo possível que desça mais que um nível devido aos impactos da descida do preço do petróleo.

Luanda Angola
Reuters
Lusa 07 de Março de 2016 às 13:21
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"A Moody's colocou a avaliação de Angola (actualmente em Ba2) enquanto emissor de títulos de dívida em revisão para uma descida", lê-se no documento que explica que "o objectivo da revisão do 'rating' é avaliar a extensão do impacto de uma descida adicional dos preços do petróleo, que a Moody's espera que se mantenham baixos por vários anos, no desempenho económico de Angola e na balança de pagamentos nos anos vindouros".

 

Na explicação desta avaliação, a Moody's argumenta que "vai descer o "rating" de Ba2 se a análise concluir que os planos do Governo são inadequados para sustentar a força da balança de pagamentos e da economia, sendo que o mais provável é que, nesse caso, a descida seja de um grau, mas dada a extensão do impacto negativo da queda dos preços do petróleo, um 'downgrade' de mais de um nível é possível, apesar da protecção oferecida pela presença de um vasto fundo soberano".

 

A agência de notação financeira, que já tinha baixado o "rating" de Angola para território ainda mais negativo, abaixo da recomendação de investimento ('lixo'), alerta ainda que "como parte da avaliação, a Moody's vai, em particular, avaliar a credibilidade e a sustentabilidade dos planos do Governo e a sua capacidade para militar o impacto dos preços mais baixos do petróleo do ponto de vista do crédito de Angola".

 

A revisão em baixa da perspectiva de evolução da economia angolana faz parte de um conjunto de acções apresentadas durante o fim-de-semana, no qual a Moody's colocou em avaliação negativa 18 países produtores de petróleo, entre os quais a Rússia, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos.

 

A colocação em revisão do 'rating' actual de Angola resulta de uma reunião no final do mês passado, na qual os analistas da Moody's concluíram que a "força económica, orçamental e financeira" diminuiu e que Angola "está cada vez mais susceptível a choques externos".

 

Na análise recente que fazem ao país, os analistas lembram que o petróleo e gás "representam mais de 97 por cento das exportações e cerca de 45% do PIB, fornecendo também 67% das receitas fiscais" do Executivo.

 

Como a Moody's prevê que o preço do petróleo se fique pelos 33 dólares por barril este ano e 38 no ano seguinte, subindo para os 48 dólares por barril até 2019, o panorama é negativo para o segundo maior produtor desta matéria-prima na África subsaariana e as consequências já se notam.

 

"Entre 2013 e 2015, a receita enquanto percentagem do PIB caiu 16 pontos e o saldo orçamental passou de 3% em 2013 para um défice de 2% no ano passado; assumindo que não há medidas do lado do Governo, a descida do preço do petróleo nos próximos anos implicaria uma redução de 27% nas receitas do Governo, um aumento de 7 pontos no défice orçamental e uma subida de 6 pontos percentuais na dívida pública nos próximos quatro anos", acrescenta a agência de notação financeira.

 

Apesar de se mostrar preocupada com a evolução da economia, a Moody's "nota que o Governo embarcou num vasto conjunto de planos que podem mitigar o impacto na sua posição de crédito, incluindo cortes na despesa, reforma fiscal para alargar a base tributária e medidas para diversificar a base económica do país".

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