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Moscovo ameaça com exemplo da Geórgia após nova incursão militar de Kiev no leste do país

O acordo que na semana passada aparentava iniciar uma pacificação da situação na Ucrânia e uma opção pela via diplomática quedou-se pela aparência. Os últimos três dias mostram que a Rússia não está disponível a prescindir dos seus interesses geoestratégicos na região.

Bloomberg
David Santiago dsantiago@negocios.pt 23 de Abril de 2014 às 19:37
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A declaração do ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, que disse esta quarta-feira, na televisão russa RT, que Moscovo poderia agir como fez na Ossétia do Sul em 2008, no caso de "os interesses russos serem atacados", foi o retomar da guerra de palavras, acompanhadas por acções no terreno, no diferendo que opõe a Rússia à Ucrânia.

 

Este aviso do representante diplomático do Kremlin surgiu depois de as autoridades de Kiev, ainda durante a visita do vice-Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ao país, terem optado por ordenar uma nova intervenção militar "anti-terrorista" na região leste onde pelo menos nove cidades permanecem sob controlo de rebeldes pró-russos.

 

No entender de Lavrov a opção das autoridades de Kiev reiniciarem no terreno as designadas "operações anti-terroristas", além de um regresso ao ponto que se vivia antes do Acordo de Genebra de quinta-feira passada, pode acabar por ferir "os interesses russos" na região, o que levaria "certamente a que respondêssemos".

 

Em 2008, aquilo que Moscovo considerou um ataque e desrespeito face aos interesses e direitos das populações de etnia russa da Ossétia do Sul, região separatista da Geórgia, desencadeou uma operação militar que resultou no controlo da região por parte de Moscovo.

 

Lavrov acena agora com a mesma cartada quando, em referência à região leste da Ucrânia, de maioria russófila, alude à possibilidade de intervenção sempre que os direitos dessas populações não estejam salvaguardados. O chefe da diplomacia moscovita lembrou ainda que a presença do secretário de Estado John Kerry em Kiev foi utilizada como forma de legitimação de uma operação ilegítima, contra o próprio interesse dos cidadãos da região.

 

Tal como escreve o economista Jeffrey D. Sachs no artigo de opinião "A via perigosa de Putin", publicado, na íntegra, pelo Negócios, o Presidente russo Vladimir Putin tem insistentemente designado de "Novorossiya" (Nova Rússia) a zona leste da Ucrânia, o que poderá ser utilizado como argumento no caso de uma eventual invasão russa desse território.

 

Sachs lembra que o "precedente" de situações como a verificada na Líbia, na Síria, no Afeganistão ou no Iraque pode ser utilizado por Putin como argumento legitimador de uma actuação militar em solo ucraniano, ao que se junta o móbil do "direito e dever de defender os cidadãos de etnia russa dos países vizinhos, especialmente à luz das arbitrariedades das actuais linhas fronteiriças".  

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