Mundo Não serei nem secretário nem general, diz Guterres sobre candidatura à ONU

Não serei nem secretário nem general, diz Guterres sobre candidatura à ONU

O candidato a secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) António Guterres garantiu que, se for eleito, não será "nem um secretário nem um general", prometendo diálogo com os restantes corpos da organização. 
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Lusa 12 de abril de 2016 às 23:22

"Não serei um secretário nem serei um general", assegurou o candidato português a secretário-geral da ONU, António Guterres, durante a audição sobre a sua candidatura na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, perante os 195 membros da organização.

 

"O secretariado é supostamente uma função burocrática e eu não gosto de burocracia, o que precisamos é de movimento, de capacidade de ter resultados, de mobilizar e de ter entusiasmo no que fazemos", declarou Guterres durante a audição, que se prolongou por duas horas e 15 minutos, e durante a qual alternou frequentemente entre o inglês, o espanhol e o francês.

 

Guterres recusou também a ideia de ser um general, lembrando que "um general está no comando, um secretário-geral não está no comando, tem bons ofícios. Deve ter uma capacidade de diálogo com todos os corpos da ONU para se moverem na mesma direcção, deve respeitar os Estados-membros e os outros corpos da organização".

 

Numa resposta ao embaixador de Angola, Guterres afirmou que "deve haver um diálogo claro e aberto" entre o secretário-geral, a assembleia-geral e o Conselho de Segurança das Nações Unidas.

 

Sobre o Conselho de Segurança, Guterres limitou-se a recordar a posição do ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, que considerou que a reforma da organização só estará completa com a reforma daquele órgão, que foi criado no pós-II Guerra Mundial, mas entretanto "o mundo mudou".

 

Além do diálogo, outro tema em que o candidato insistiu nas respostas a membros da assembleia-geral e a representantes da sociedade civil foi o da descentralização como forma de aumentar a eficácia da organização, invocando a sua experiência de dez anos à frente do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

 

Guterres recordou que reduziu os funcionários na sede (Genebra, na Suíça), mas triplicou a actividade da agência. "É possível fazer mais com maior descentralização e garantindo que somos mais eficientes" em termos de resultados e de custos, considerou.

 

Quanto às operações de manutenção de paz em que a ONU se envolve, Guterres defende que os contribuintes financeiros também devem contribuir com tropas e deve garantir-se que os homens no terreno têm os meios de que necessitam para cumprir o seu mandato.

 

Sobre o Médio Oriente, Guterres defendeu a solução de dois Estados (Palestina e Israel). "Estou totalmente comprometido para fazer tudo o que eu possa, e claro que há muitas coisas que eu não consigo fazer, para que esta solução seja uma realidade", disse, defendendo ainda que a ONU deve ser "muito forte" na condenação de fenómenos como xenofobia, antissemitismo ou islamofobia.




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