Mundo O multimilionário de quem toda a gente fala na nova Ucrânia

O multimilionário de quem toda a gente fala na nova Ucrânia

Está em jogo o renascimento económico da Ucrânia, que pode ser afetado se o multimilionário conseguir recuperar o controlo do Privatbank, o maior banco do país.
O multimilionário de quem toda a gente fala na nova Ucrânia
Volodymyr Zelenskiy, presidente da Ucrânia, está ao centro da imagem. Igor Kolomoisky, multimilionário, é o segundo à direita.
Presidência da Ucrânia
Bloomberg 21 de setembro de 2019 às 21:00

De reformas pró-mercado a um alívio das tensões com a Rússia, os eleitores ucranianos estão a receber as rápidas mudanças que pediram quando derrubaram o poder político este ano. Mas, em vez de o presidente Volodymyr Zelenskiy, um multimilionário outrora com má fama agora é o foco de rumores com o surgimento da nova era.

 

Igor Kolomoisky, um magnata da indústria e dos media com uma fortuna estimada em 1,1 mil milhões de dólares, usou o seu império para impulsionar a antiga carreira de Zelenskiy como comediante de TV. Rumores circulam há algum tempo sobre os vínculos entre os dois.

 

Para começar, houve o retorno repentino de Kolomoisky do exílio autoimposto em Tel Aviv, três dias antes da tomada de posse de Zelenskiy em maio. O magnata tinha entrado em conflito com o antecessor do atual presidente sobre a nacionalização do seu banco, entre outras coisas. O seu canal de televisão apoiou Zelenskiy no período que antecedeu a eleição.

 

Desde então, mais críticas alimentam os boatos, embora seja difícil encontrar provas concretas de que Kolomoisky esteja a influenciar a política.

 

Está em jogo o renascimento económico da Ucrânia, que pode ser afetado se o multimilionário conseguir recuperar o controlo do Privatbank, o maior banco do país. Tal passo sugeria que a oligarquia, um empecilho aos esforços anteriores de reformas, conseguiria manter o seu vasto poder na nova Ucrânia.

 

Também ameaçaria a estabilidade financeira, segundo o banco central, e pode interferir num novo programa de empréstimos do Fundo Monetário Internacional.

 

"Existe um consenso entre investidores de que o governo está a fazer muitas coisas boas", afirmou Ihor Mazepa, que controla a empresa de investimentos ucraniana Concorde Capital. "Mas qualquer decisão equivocada sobre o Privatbank anulará esse efeito positivo muito rapidamente."

 

Zelenskiy e Kolomoisky disseram repetidamente que não há nada de inconveniente na sua relação. Mas as nomeações do governo e medidas relacionadas ao Privatbank são motivo de preocupação.

 

O chefe de gabinete de Zelenskiy era advogado pessoal de Kolomoisky. E o ministro do Interior, Arsen Avakov, elogiado publicamente pelo magnata, está entre as duas únicas autoridades que mantiveram os seus postos no novo governo.

 

O responsável pela estação de TV de Kolomoisky e três dos seus jornalistas são legisladores do partido de Zelenskiy. Outro, Oleksandr Dubinsky, representa o parlamento num comité que escolhe membros independentes do conselho para bancos controlados pelo Estado, como o Privatbank.

 

O banco central foi uma força motriz na estatização do Privatbank. Dubinsky quer que o parlamento investigue as ações do banco nos últimos anos. O banco queixou-se de ameaças a funcionários atuais e ex-funcionários.

 

Nos últimos dias, os rumores aumentaram. Zelenskiy encontrou-se com Kolomoisky no seu escritório pela primeira vez a 10 de setembro. No dia seguinte, a sede do Privatbank foi invadida pela polícia.

 

Kolomoisky disse posteriormente que não discutiu a situação do banco na sua reunião com Zelenskiy e não quer recuperá-lo "a qualquer custo". Mesmo assim, o magnata vê uma "boa janela de oportunidade" agora que as autoridades que conduziram a nacionalização não estão por perto.

 

Um tribunal ucraniano decidiu em abril que a aquisição foi ilegal num processo com recurso pendente.

 

Alguns membros da equipa de Zelenskiy veem evidências da influência de Kolomoisky, enquanto outros minimizam os temores de que ele tenha vantagens indevidas.

 

"É uma notícia velha que eles tiveram uma relação de negócios no passado", salientou Lenna Koszarny, sócia-fundadora e presidente da empresa de private equity Horizon Capital. "Agora, o presidente tem poder no país; ele deve ser capaz de suportar qualquer tipo de pressão de qualquer grupo empresarial - local ou estrangeiro."

 

(Texto original: The Billionaire Everyone’s Talking About in the New Ukraine)




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