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O que é que Trump tem em comum com Savimbi?

O lobista norte-americano que fez do já falecido líder da UNITA, Jonas Savimbi, um combatente da liberdade, é o mesmo que está a liderar a campanha presidencial de Donald Trump.

Bloomberg
Celso Filipe cfilipe@negocios.pt 12 de Junho de 2016 às 10:30

O que têm em comum Donald Trump e Jonas Savimbi? A resposta é: o mesmo lobista, Paul Manafort. O norte-americano, que em 1985 foi recrutado para mudar a imagem do já falecido líder da UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola), é o mais recente responsável pela campanha eleitoral de Donald Trump à Casa Branca.

Em 1985, a UNITA e o seu líder, Jonas Savimbi, procuraram Paul Manafort para mudar a sua imagem perante a opinião pública. A estratégia passou por transformar o cariz ideológico da UNITA, deixando de ser um partido de inspiração maoísta para se transformar numa força política de cariz democrático, virada para o Ocidente, por contraposição ao MPLA (Movimento Popular para a Libertação de Angola), o partido ainda no poder em Angola, cujo principal apoio político era dado pela extinta União Soviética.

Jonas Savimbi foi morto a 22 de Fevereiro de 2002 na província do Moxico.
Jonas Savimbi foi morto a 22 de Fevereiro de 2002 na província do Moxico. Reuters


A empresa de Paul Manafort fez um contrato anual de 600 mil dólares com a UNITA e o lobista conseguiu mesmo que Jonas Savimbi fosse recebido pelo então presidente dos EUA, Ronald Reagan. Manafort abriu ainda as portas para que o líder da UNITA marcasse presença em eventos promovidos por instituições conservadoras norte-americanas, casos do Instituto de Empresas da América, Fundação Heritage e Casa da Liberdade, onde era apresentado como um combatente pela liberdade.

Nas décadas de 80 e 90 a UNITA, efectivamente, conheceu o seu auge de reconhecimento internacional e tinha representações em todas as capitais importantes, de Londres a Washington passando por Paris e, claro, em Lisboa. Representava os valores da democracia por oposição ao MPLA, o qual era colocado o rótulo de ser um país satélite comunista de Moscovo.

Com o fim da guerra fria entre os EUA e a União Soviética, entretanto convertida em Rússia, a UNITA foi perdendo influência e Jonas Savimbi acabou morto pelas forças militares angolanas a 22 de Fevereiro de 2002 na província do Moxico. Pouco depois, a UNITA assinou um acordo de paz que dura até hoje.

O verdadeiro talento de Manafort, afirmou um seu antigo parceiro de negócios ao Financial Times, é o de fazer ressuscitações políticas e "re-brandings" de pessoas.

Na lista de clientes de Manafort emergem figuras altamente controversas como Ferdinad Marcos e Mobutu Sese Seko, antigos presidentes respectivamente das Filipinas e do Zaire, já falecidos, e mais recentemente Viktor Yanukovich, ex-presidente da Ucrânia.

Paul Manafort, de 67 anos, é uma velha raposa, especialista em ressureições políticas.
Paul Manafort, de 67 anos, é uma velha raposa, especialista em ressureições políticas. Reuters


Manafort, de 67 anos, é uma velha raposa no território eleitoral norte-americano, tendo sido conselheiro nas campanhas presidenciais dos dois George Bush, pai e filho, de Robert Dole e de John McCain. Agora está a tentar levar Donald Trump à Casa Branca, limando as arestas da agressividade discursiva e ideológica do milionário norte-americano.

 

O lobista faz maravilhas. "Gracioso e contido, Trump falou coerente sobre o emprego e a economia e referiu-se respeitosamente aos seus adversários republicanos como 'senador Cruz' e 'governador Kasich', obedecendo a um discurso preparado. Para trás ficaram os insultos obscenos e os ataques à imprensa. Tratou-se de um ‘makeover’ político como poucos viram antes, burilado e arquitectado pelo seu novo chefe de campanha, Paul Manafort", descreveu o Financial Times na sua edição de 22 de Abril deste ano.

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