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O que Eduardo dos Santos já disse sobre Portugal, os investimentos, a economia e a corrupção

Vinte e dois anos depois, José Eduardo dos Santos volta a dar uma entrevista. A SIC foi o meio escolhido pelo presidente da República de Angola e, pela sua raridade, as suas declarações são aguardadas com expectativa.

Miguel Baltazar
Celso Filipe cfilipe@negocios.pt 06 de Junho de 2013 às 12:01
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“Os portugueses são bem vindos. Há uma grande falta de pessoal qualificado" afirma José Eduardo dos Santos num pequeno excerto promocional da referida entrevista que a televisão de Carnaxide emitirá esta quinta-feira a partir das 20h45.

 

O Negócios revisita aqui as declarações feitas pelo presidente da República de Angola, em ocasiões diversas, sobre o investimento português em Angola e angolano em Portugal, a cooperação, o desenvolvimento de Angola e a corrupção, temas que certamente irão ser abordados durante a referida entrevista.

 

Segundo o site Club K, a televisão e a rádio de Angola, dois órgãos de comunicação social detidos pelo Estado, enviaram jornalistas para Portugal, cuja missão será a de cobrir esta entrevista e as reacções que irá gerar. Este facto revela a importância que as autoridades angolanas estão a dar a esta aparição televisiva de José Eduardo dos Santos.

  

 

Sobre o regime político em Angola

 

"Não tem [...] qualquer fundamento a afirmação de que em Angola vigora um regime ditatorial, que não reconhece os direitos, as liberdades e as garantias dos cidadãos. Não há aqui qualquer ditadura. Pelo contrário, no país existe uma democracia recente, viva, dinâmica e participativa, que se consolida todos os dias.”

18 Outubro 2011, num discurso sobre o Estado da Nação

 

 

Sobre a influência do aparelho do MPLA no Governo

 

“Alguns militantes, que ocupam funções partidárias e político-administrativas, no exercício das suas obrigações não tratam dos assuntos de forma objectiva, na base das leis ou dos regulamentos do Partido e colocam questões subjectivas e pessoais acima dos interesses gerais, gerando contradições, atritos e incompatibilidades com outros quadros.” 

25 Janeiro 2013, no discurso de abertura da 6ª sessão do Comité Central do MPLA

 

 

Sobre o programa do MPLA e a economia de mercado

 

“Numa altura em que no nosso país se consolida a economia de mercado e se afirmam, cada vez mais, grandes proprietários e detentores de capital, alguns dos quais membros do nosso partido, é pertinente que se clarifique o nosso pensamento político e se esclareça sobre os objectivos do programa do MPLA, para que todos (...), tenham consciência do rumo que seguimos e das suas responsabilidades, enquanto militantes na concretização do programa do seu partido.” 

25 Janeiro 2013, no discurso de abertura da 6ª sessão do Comité Central do MPLA

 

 

Sobre a cooperação com Portugal

 

“A História ligou profundamente os angolanos e os portugueses, seja pela língua, valores morais e princípios éticos comuns, seja por diversas afinidades e manifestações de afecto.A língua portuguesa é naturalmente o maior factor de aproximação, porque facilita os contactos, a compreensão e o diálogo. Mas a nossa amizade e cooperação, para além da língua, assenta também na visão comum que partilhamos sobre o futuro.”

10 Março 2009, durante uma visita de Estado a Portugal

 

Sobre os investimentos angolanos em Portugal

 

“Angola, que está em paz e reconstrução, concebeu programas que visam alcançar a expansão da sua economia assegurando deste modo inúmeras oportunidades de investimento.

 

Portugal também tem sido o destino de algum investimento de empresários angolanos. Homens de negócios portugueses e angolanos podem assim apostar, também, em investimentos cruzados em Angola e Portugal e contribuir para a saída da crise.”

10 Março 2009, durante uma visita a Portugal

 

Sobre a corrupção

 

"Vamos estabelecer uma data de corte. Reafirmar a tolerância zero em relação à repetição dos erros e vícios do passado na Administração Pública."

9 Fevereiro 2010, na tomada de posse do Governo

 

Sobre  a necessidade de empresas angolanas fortes

 

“O Estado vai continuar a retirar-se da produção de bens e serviços para que esta tarefa seja levada a cabo pelas pequenas, médias e grandes empresas privadas. (...) Eu assumo, em nome do MPLA, o compromisso de reforçar o apoio de todo o tipo aos empresários angolanos, para que eles tenham empresas fortes que ocupem um grande espaço no nosso mercado. Não são só as grandes empresas estrangeiras, como a Teixeira Duarte, a Odebrecht, a Total-Elf, a Chevron, etc., que devem prosperar e levar grande parte do dinheiro que ganham para os seus países.” 

22 Agosto 2012, durante a campanha eleitoral

 

 

Sobre as empresas portuguesas 

 

"Nós preferíamos, naturalmente, produzir no nosso país a maior parte destes bens e seria de todo desejável que as empresas portuguesas, que exportam para cá, se pudessem instalar no nosso país, estabelecendo parcerias com empresas locais ou realizando investimentos directos para ajudar o país a reduzir ou substituir as importações"

5 Abril 2006, após ter recebido em audiência José Sócrates, à data primeiro-ministro português

 

 

Sobre os investimentos cruzados

 

[Esta visita de Passos Coelho a Angola]  “elevará as nossas relações a novos patamares de excelência, através do alargamento a novas áreas de cooperação e do cruzamento de novos investimentos tanto em Angola como em Portugal. A presença crescente de cidadãos portugueses em Angola e de angolanos em Portugal e o à-vontade com que convivem e se integram, tanto num como noutro país, é revelador do quão enriquecedor é esse fluxo, facilitado pelo recente acordo sobre a questão dos vistos, assinado pelos chefes de diplomacia dos dois países."

17 Novembro 2011, durante a visita de Pedro Passos Coelho a Angola

 

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