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"Papa da esperança" chega a Washington como "filho de emigrantes"

À chegada aos Estados Unidos, o Papa Francisco foi recebido por Obama e por uma multidão que declarava o seu "amor" pelo santo padre. Jorge Bergoglio, que disse estar ali enquanto "filho de emigrantes", elogiou o papel de Obama no combate às alterações climáticas.

David Santiago dsantiago@negocios.pt 23 de Setembro de 2015 às 17:40
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O Papa Francisco chegou à Casa Branca num modesto Fiat 500 naquela que é a sua primeira visita oficial aos Estados Unidos. Nas primeiras declarações proferidas em solo norte-americano, esta quarta-feira, 23 de Setembro, o "Papa da esperança", segundo descrição do próprio presidente dos Estados Unidos, Francisco começou por elogiar Barack Obama pelo seu papel na luta contra as alterações climáticas.

 

"Acho encorajador que [Obama] tenha proposto uma iniciativa para reduzir a poluição. Ao reconhecer esta urgência, parece-me claro que as alterações climáticas são um problema cuja solução não pode ser deixada para as gerações futuras", disse o Papa Francisco que sublinhou que "estamos a viver um momento crítico da nossa história". Obama ripostou no mesmo tom elogioso:

 

"O santo padre lembra-nos que temos uma obrigação sagrada de proteger o nosso planeta. Apoiamos o seu apelo a todos os líderes mundiais para ajudarem as comunidades mais vulneráveis às alterações climáticas", disse o político democrata. Para o presidente dos Estados Unidos, "as mensagens de amor, esperança e paz [do Papa] inspiram-nos a todos nós".

Recebido por cerca de 15 mil pessoas no portão sul da residência oficial de Obama e sob gritos efusivos de "amor" ao Papa, Francisco não esqueceu a crise que assola a Europa por estes dias. "Enquanto filho de emigrantes, estou feliz por ser convidado deste país, que foi construído, em grande medida, por famílias deste tipo", declarou Francisco no que pareceu uma crítica à forma como alguns líderes europeus têm lidado com o problema colocado à Europa pelas crises migratória e dos refugiados.

 

Na cerimónia de recepção realizada nos jardins da Casa Branca, reinou a boa disposição e os elogios de parte a parte. O Papa Francisco não hesitou "em levantar-se em defesa da justiça e contra a desigualdade", começou por destacar Obama que sublinhou o amor de Francisco pela humanidade, "desde o refugiado que foge de terras assoladas pela guerra ao imigrante que abandona a casa em busca de uma vida melhor".

 

Todavia, houve espaço para alguns reparos por parte do Papa Francisco às políticas seguidas pela administração Obama, concretamente em temas como o respeito pela liberdade e diversidade sexual, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o aborto e ainda os excessos cometidos pelo capitalismo.

 

No entanto, o essencial do encontro destas personalidades que se reuniram pela primeira vez em 2014, no Vaticano, foi de comunhão de vontades e sentimento. Como destacou o New York Times, apesar de Obama não ser católico, ambos são cristãos e há mais a uni-los do que o seu contrário. "Que belo dia que o Senhor trouxe" para receber o Papa Francisco, disse Obama para dar as boas-vindas ao santo padre para logo depois explicar a "excitação em torno da visita" papal não apenas devido à sua função "mas também às suas qualidades únicas como pessoa".

 

Já Bergoglio preferiu destacar "os católicos norte-americanos, e os seus concidadãos, que estão comprometidos com a construção de uma sociedade verdadeiramente tolerante e inclusiva".

 

Obama quis ainda agradecer o "apoio inestimável" do Papa Francisco no processo de aproximação entre os Estados Unidos e Cuba que culminou com o reatar de relações diplomáticas e medidas que têm como objectivo acabar com o embargo económico decretado por Washington.

Amanhã, 24 de Setembro, Francisco irá discursar no Congresso norte-americano, deslocando-se depois para Nova Iorque onde irá visitar a igreja católica de St Patrick. Depois, na sexta-feira, o Papa discursará perante a Assembleia-geral das Nações Unidas, seguindo, no sábado, para Filadélfia. O regresso a Roma está agendado para domingo. 

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