Ásia Prosperidade vietnamita pode inspirar Kim Jong-un a construir amizade com EUA

Prosperidade vietnamita pode inspirar Kim Jong-un a construir amizade com EUA

Donald Trump e Kim Jong-un vão reunir-se no Vietname, país que percorreu um longo caminho de recuperação. A união entre o Norrte e Sul foi o motor para o desenvolvimento económico e social do país.
Prosperidade vietnamita pode inspirar Kim Jong-un a construir amizade com EUA
Reuters
Lusa 24 de fevereiro de 2019 às 09:56

Desde que há cerca de meio século foi arrasado por bombas norte-americanas, o Vietname, onde esta semana se reúnem o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, percorreu um longo caminho.

 

A Segunda Guerra da Indochina produziu algumas das mais sangrentas memórias do século passado, mas que parecem hoje distantes.

 

A união do Norte e do Sul do Vietname, numa nação com 95 milhões de pessoas e a abertura, em meados dos anos 1980, à iniciativa privada, rompendo com a ortodoxia comunista, permitiram grandes transformações económicas e sociais.

 

O país costeiro surge hoje como uma aguarela: o verde dos infindos arrozais, florestas tropicais, pitorescas paisagens do Rio Mekong ou a neblina matinal que envolve as regiões montanhosas no nordeste e as 2.000 ilhotas da baía de Halong.

 

Em Hanói ou Hoi'an as antigas construções coloniais foram convertidas em tranquilos hotéis e restaurantes luxuosos, que contrastam com o frenesim constante nas ruas.

 

Com um Produto Interno Bruto equivalente a 209 mil milhões de euros - próximo do PIB português - o Vietname está já entre as 50 maiores economias do mundo. Em 2018, a economia vietnamita cresceu 7%, impulsionada por um aumento de dois dígitos na produção industrial.

 

E, à medida que a economia cresce, os índices de pobreza caiem, com a esperança média de vida agora fixada nos 76 anos.

 

"Faz sentido que seja Hanói a acolher a cimeira entre Trump e Kim", explica Tong Zhao, especialista sobre a Coreia do Norte no centro de pesquisa de política global Carnegie-Tsinghua, com sede em Pequim.

 

"O Vietname tem um passado de grande hostilidade e uma guerra travada contra os EUA, à semelhança da Coreia do Norte, mas passou com sucesso para uma relação muito amigável", descreve.

 

O analista lembra como Hanói, outrora isolado no xadrez da Guerra Fria, se abriu e integrou a comunidade internacional, gozando hoje de um "enorme potencial" e uma economia "muito robusta".

 

"Penso que essa é uma mensagem importante para ambos: a Coreia do Norte e os EUA", realça.

 

Após aderir à Organização Mundial do Comércio e acordos comerciais multilaterais, como o Acordo de Associação Transpacífico (TPP, na sigla em inglês), o Vietname ultrapassou os países vizinhos, beneficiando de baixas taxas alfandegárias sobre as suas exportações.

 

Fabricantes da Coreia do Sul, Japão e China têm deslocado produção para o país, aproveitando os baixos custos e outros incentivos - em 2017, as exportações subiram 21%, para 214 mil milhões de dólares (188 mil milhões de euros).

 

Os EUA são o maior mercado das exportações vietnamitas - quase 42 mil milhões de dólares (37 mil milhões de euros).

 

E será a sul-coreana Samsung Electronics, a maior fabricante mundial de 'chips' para computadores e telemóveis, a multinacional que mais contribuiu para a transformação económica do país.

 

Em 2009, a empresa abriu a primeira fábrica de telemóveis no Vietname e emprega agora mais de 100.000 pessoas no país, tendo atraído também as norte-americanas Microsoft e Intel.

 

Em 2017, a empresa sul-coreana foi responsável por mais de um quarto das exportações vietnamitas e especula-se que Kim Jong-un poderá visitar uma das suas fábricas próximas de Hanói, à margem da cimeira com Trump.

 

Num modelo que agradará à Coreia do Norte, os líderes vietnamitas liberalizaram a economia, mas sem garantir direitos civis ou políticos, mantendo um apertado controlo sobre a imprensa, sociedade civil e dissidentes políticos.

 

Mas a pobreza rural e a corrupção são preocupações para Hanói, que está ainda a tentar reformar uma economia ainda dominada pelo Estado - um legado da era do planeamento central.

 

O Banco Mundial e outros especialistas afirmam que, para sustentar o crescimento e permanecer competitivo, o país precisa agora de dar mais espaço ao setor privado e incentivar a adoção de tecnologias mais avançadas.




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