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"The Economist": Estatísticas oficiais podem estar a estimar exportações em excesso

Na edição da semana passada, a revista britânica questiona-se: andarão marcianos a comprar malas "Louis Vuitton". A revista raciocina por absurdo. É que, segundo os dados do FMI, o mundo tem um excedente comercial.

Hugo Paula hugopaula@negocios.pt 15 de Novembro de 2011 às 20:32
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A teoria diz que a diferença entre as exportações mundiais agregadas devem apresentar uma diferença nula face ao agregado das importações do globo. Isto, porque no comércio entre fronteiras todas as trasacções têm duas faces: A importação de um país é a exportação do outro.

Logo, seria de esperar que os dados oficiais para as economias mundiais compilados pelo Fundo Monetário Internacional dessem conta de um equilibrio perfeito no agregado de todas as balanças comerciais globais. Os excedentes de umas seriam compensados pelos défices de outras.

Tudo indica que isto também se verifica na prática. O problema é que a medição dos dados económicos parece não estar a ser feita de forma correcta, constata o “The Economist”

Em 2010, as exportações globais compiladas pelo FMI no documento “World Economic Outlook”, superaram as importações em 331 mil milhões de dólares – o equivalente a 0,5% do PIB mundial. Um sinal de que as exportações parecem estar a ser sobrestimadas nas contas das economias mundiais.

Alienígenas nos Champs-Élysées

O “The Economist” regista o absurdo. Como não existe comércio entre o Mundo e outros planetas, é impossível que a balança de pagamentos global apresente um excedente das contas correntes.

“Estarão alienígenas a comprar malas Louis Vuitton? Haverá pequenos homens verdes a ocupar as espreguiçadeiras junto à piscina do hotel?”. A revista britânica, opta por acreditar que as estatísticas oficiais reflectem erros estatísticos.

O pior é que a tendência é de agravamento. As estimativas divulgadas pelo FMI dão conta de um agravamento do “excedente comercial global” para 700 mil milhões de dólares (mais de 0,8) em 2014.

Recorde-se que, até 2005, os dados da demonstravam a situação inversa. O globo apresentava um défice comercial quase todos os anos. Estudos do FMI chegaram a responder a estes desvios. Nas décadas de 80 e 90 era a não declaração rendimentos que empresas de economias desenvolvidas recebiam de operações em países em desenvolvimento.

Grupos económicos dão forma ao comércio internacional

No entanto, o actual excedente da conta de pagamentos exige uma nova abordagem. A emergência deste desvio coincide com o crescimento da China e a “explosão de negócios integrados verticalmente”. Em 2009, constata a revista especializada, o comércio internacional realizado dentro de grupos empresariais contribuiu para cerca das importações norte-americanas.

Aos preços a que produtos intermédios são transeferidos entre unidades do mesmo grupo económico dá-se o nome de preços de transferência. Cada empresa decide os preços a que tranfere bens de umas unidades para as outras e, ao fazê-lo, determina o valor das importações e exportações que as autoridades medem nas suas fronteiras.

Em causa pode estar muito daquilo que julgamos saber sobre os desequilíbrios internacionais. O economista do Nomura, Zhiwei Zhang, estima que o erro provocado pelo registo de lucros abaixo dos realizados na China, por empresas sedeadas em economias desenvolvidas e pelo reporte de fluxos comerciais quando em causa estão ganhos de capitais, pode ter um impacto de três a quatro pontos base no excedente comercial da China.

Uma taxa que compara com o excedente comercial de 5% do PIB da China, que a segunda maior economia do mundo reportou no ano passado, relembram o "The Economist".
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