Américas Reportagem: Portugueses radicados na Venezuela fintam a crise nas férias e fazem compras no Brasil

Reportagem: Portugueses radicados na Venezuela fintam a crise nas férias e fazem compras no Brasil

Uma família de portugueses radicada na Venezuela decidiu seguir o conselho de amigos e aproveitar as férias para ir até ao sul do país, cruzar a fronteira com o Brasil e comprar bens alguns essenciais que escasseiam em Caracas.
Reportagem: Portugueses radicados na Venezuela fintam a crise nas férias e fazem compras no Brasil
Lusa 29 de agosto de 2016 às 11:08

Manuel Agrela, de 55 anos, acompanhado da mulher, também portuguesa, e dois filhos, começou sexta-feira uma viagem de 1.100 quilómetros que o levará a Santa Elena de Uairen, (capital do município) Gran Sabana, na fronteira com o Brasil.

 

"Vamos ficar alguns dias, visitar as zonas de diamantes, respirar ao amanhecer o ar enevoado da zona, relaxar com o silêncio que nos distancia das grandes cidades, ver várias zonas montanhosas e saltos (de água) e depois visitar os 'tepuys' (mesetas com paredes verticais e planas) e o Parque Canaima", disse à agência Lusa.

 

Para Manuel Agrela e a família as férias escolares servem para "fazer algo diferente".

 

A viagem, explicou, vai prosseguir com novas paragens e uma passagem até "La Línea" (a Linha), a primeira povoação brasileira fronteiriça com a Venezuela e depois até Pacaraíma (20 quilómetros a sul da fronteira) "e se o tempo alcançar até Boa Vista, a pouco mais de três horas de viagem".

 

"Pelo caminho já encontrámos outros portugueses que também vão de férias. Apanhei-os no Estado de Bolívar, onde compraram molho picante de 'bachacos' (espécie de formiga), muito popular entre os indígenas mas que resisto a provar", disse.

 

Nesta viagem, com várias paragens e que deverá prolongar-se por três semanas a família Agrela pretende combinar férias e comprar bens que faltam em Caracas, como arroz, massa, feijão, farinha de trigo e de milho, café, shampoo, sabonetes e leite em pó.

 

"Nada de coisas de luxo, apenas coisas do dia-a-dia" que espera que a Guarda Nacional Bolivariana (polícia militar) não confisque na viagem de regresso.

 

Prevenido, teve o cuidado de levar consigo bolsas pretas para as compras e "guardar bem guardado, os dólares e alguns bolívares (moeda venezuelana)" que vai usar na viagem.

 

"Há cinco anos fui até ao Brasil, mas fazer turismo, conhecer, tirar fotografias, nessa altura era impensável projectar uma viagem pensando em comprar produtos básicos", frisou, precisando que "o Governo venezuelano tem que fazer alguma coisa para terminar com a escassez".

 

A imprensa local dá conta que residentes nas regiões a sudeste de Caracas vêem o Brasil como alternativa para conseguir os produtos que faltam na Venezuela. Sinal disso são os bilhetes de autocarro para a fronteira que esgotam rapidamente porque as pessoas viajam para comprar comida para casa e para revenda.

 

Há cinco anos percebeu que muitos estabelecimentos comerciais de Pacaraíma estavam a fechar devido à pouca actividade comercial, mas agora as notícias são que a falta de produtos básicos na Venezuela está a estimular a economia local, onde, segundo fontes não oficiais, dezenas de lojas abriram as portas este ano.

 

Duzentos quilómetros a sul os venezuelanos conseguem pneus, peças de reposição para viaturas, artigos de higiene e medicamentos difíceis de conseguir na Venezuela.

 

O transporte de mercadorias é feito, em cumplicidade de algumas as linhas de autocarros, que adicionalmente ao bilhete do passageiro cobram um valor por cada "bulto" (pacote grande).

 




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