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Síria acusa grupos terroristas da utilização de gás sarin

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Síria sustenta que foram os rebeldes a fazer uso de armas químicas, “com o encorajamento de americanos, britânicos e franceses”.

João Henriques
David Santiago dsantiago@negocios.pt 28 de Agosto de 2013 às 19:06
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Depois de uma reunião, num hotel em Damasco, com uma responsável da ONU, Faisal Maqdad, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros sírio, avisou que “os países ocidentais têm de parar com este encorajamento”, até porque estes mesmos terroristas acabarão por usar “armas químicas contra os povos da Europa”.

 

Citado pelos jornais franceses “Le Fígaro” e “Les Echos”, Maqdad responsabiliza “os grupos terroristas” pela utilização de “gás sarin em vários pontos do país”. Acrescenta que estes ataques têm sido levados a cabo com “o encorajamento de americanos, britânicos e franceses”.

 

O “Washington Post” publicava, na última terça-feira, que a Administração Americana está no poder de “provas irrefutáveis” da responsabilidade do regime de Assad na utilização de armas químicas no ataque da semana passada. Por sua vez, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, considera que “já está claro que foram utilizadas armas químicas em larga escala”.

 

Em Maio deste ano, Carla del Ponte, membro da comissão de inquérito das Nações Unidas às violações de Direitos do Homem na Síria, e antiga procuradora do Tribunal Penal Internacional, anunciou, em entrevista fornecida à “Swiss TV”, a existência de “suspeitas concretas, mas não provas irrefutáveis” da utilização de “gás sarin por parte dos rebeldes sírios”. Salvaguardava, porém, que “as nossas investigações têm de ser aprofundadas e confirmadas com novos testemunhos, mas de acordo com aquilo que conseguimos apurar, para já foram os opositores ao regime de Assad que utilizaram gás sarin”.

 

No final de Abril, poucos dias antes da declaração de del Ponte, os Estados Unidos haviam informado que os seus serviços de informação dispunham de dados “com diferentes níveis de certeza” relativos à utilização, “em pequena escala”, de gás sarin pelo regime de Assad. Israel acusou, na sexta-feira passada, as forças leais a Assad da utilização de armamento químico, naquilo que tem sido uma prática reiterada desde o início do conflito em plena Primavera Árabe.

 

Esta quarta-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu quatro dias para que os investigadores daquela organização, que estão em Damasco, pudessem terminar a recolha e análise de dados, o que permitirá uma noção mais exacta e segura daquilo que aconteceu aquando do bombardeamento da quarta-feira da semana passada. O Reino Unido já pediu, esta quarta-feira, autorização da ONU para uma intervenção militar na Síria.

 

O Conselho de Defesa francês reúne esta tarde. O Parlamento inglês discute este tema amanhã, quinta-feira. Os Estados Unidos não necessitam de autorização do Senado para avançar com uma operação militar em território sírio. Ter-se-á, então, de aguardar, pelo menos mais um dia, para saber se os Aliados avançam para uma intervenção fora do âmbito das Nações Unidas ou se Ban Ki-moon verá o seu pedido satisfeito. Itália, China e, por exemplo, Portugal, preferem que seja adoptada uma posição enquadrada com a ONU.

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