Mundo Soros: Trump é "vigarista e narcisista" e o destino do mundo está em jogo em 2020

Soros: Trump é "vigarista e narcisista" e o destino do mundo está em jogo em 2020

O multimilionário de origem húngara apontou a mira aos presidentes dos Estados Unidos e da China no seu discurso no Fórum Económico Mundial, em Davos, e disse que o futuro do mundo pode ser decidido este ano.
Soros: Trump é "vigarista e narcisista" e o destino do mundo está em jogo em 2020
Gonçalo Almeida 24 de janeiro de 2020 às 11:51
Donald Trump, Xi Jinping e Facebook. Foram estes os três principais alvos de críticas por parte do multimilionário George Soros, que referiu que as eleições presidenciais dos Estados Unidos, a decorrer em novembro deste ano, podem não só alterar a relação entre Washington e Pequim, como decidir "o destino do mundo".

No tradicional jantar anual que oferece aos jornalistas que estão a cobrir o Fórum Económico Mundial, em Davos, o empresário referiu que o presidente chinês, Xi Jinping, está a tentar "explorar as fraquezas de Donald Trump" e a usar a "inteligência artificial para ter o controlo total dos habitantes da China".

Sobre Donald Trump, Soros disse que o líder da Casa Branca "é um vigarista e um narcisista, que quer que o mundo gire em torno dele" e que "quando a sua fantasia de ser presidente se tornou realidade (...) transformou o seu narcisismo numa doença maligna", segundo a CNBC.

As novas críticas do multimilionário de 89 anos surgem numa altura em que ambos os países concordaram em selar a primeira fase de um acordo comercial. O entendimento ditou que os EUA suspendam as tarifas que iam entrar em vigor em dezembro e reduzam para metade a tarifa de 15% que incide sobre bens chineses avaliados em 110 mil milhões de dólares. A China comprará mais bens aos EUA num total de 200 mil milhões de dólares em 2020 e 2021.

Embora vários representantes da Casa Branca, incluindo Donald Trump, já tenham vindo a público dizer que iam sentar-se para começar a elaborar a segunda fase do acordo, existe a forte probabilidade de que as negociações não aconteçam antes das eleições presidenciais nos Estados Unidos. 

A interferência do Facebook no ato eleitoral foi outro dos pontos tocados pelo financeiro, que acusou a empresa liderada por Mark Zuckerberg de poder vir a ajudar à reeleição de Donald Trump, em troca de ajuda da Casa Branca.

Referiu que o 
"Facebook vai trabalhar para eleger Trump e este para proteger o Facebook (...) que se guia apenas pelo princípio de maximizar o seu lucro, independentemente do dano que isso possa causar ao mundo". 

George Soros tem sido um dos principais apoiantes dos democratas, nos Estados Unidos, e durante as últimas eleições presidenciais, em 2016, gastou mais de 20 milhões de dólares na campanha pró-democratas. Apesar de não ter demonstrado o apoio público a nenhum candiato, Soros tinha dito em outubro do ano passado que a jurista Elizabeth Warren seria "a mais qualificada para assumir a presidência". 

No seu discurso, Soros lançou farpas também ao presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, por não ter protegido
 a Floresta Amazónica, tendo mesmo feito comparações entre o líder brasileiro e o presidente dos Estados Unidos.

"O presidente Bolsonaro não protegeu a Amazónia da destruição e rejeitou qualquer compromisso razoável na Conferência do Clima, em Madrid", disse Soros, comparando-o ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao ex-vice-primeiro ministro italiano Matteo Salvini, pela postura autoritária.

Uma universidade internacional para combater o populismo 
No Fórum Económico Mundial, o filantropo George Soros anunciou ainda que vai investir mil milhões de dólares na criação de uma universidade internacional que se irá especializar em combater regimes autoritários e que terá uma forte componente ligada às alterações climáticas. 

Soros disse que a estratégia seria o acesso "a uma educação de qualidade, que cultive o pensamento crítico". "Este é o projeto mais importante da minha vida e gostaria de vê-lo implementado enquanto ainda por aqui ando", acrescentou o multimilionário. 

A universidade em rede vai integrar 
ensino e pesquisa em instituições de ensino superior em todo o mundo e reunir regularmente estudantes e professores de diferentes países com discussões presenciais e online. 

"Não podemos construir uma rede global por conta própria", disse Soros. "Espero que aqueles que partilham essa visão se juntem a nós para torná-la realidade", acrescentou.



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