Mundo Trump com caminho aberto para impor tarifas à Europa

Trump com caminho aberto para impor tarifas à Europa

A OMC considera que a Europa concedeu apoios ilegais à fabricante de aviões, o que dá luz-verde aos Estados Unidos para retaliar através de tarifas.
Nuno Carregueiro 15 de setembro de 2019 às 18:08

A Organização Mundial do Comércio (OMC) já chegou a uma conclusão sobre a queixa dos Estados Unidos contra os apoios concedidos pelos países europeus à fabricante de aviões Airbus, tendo deliberado a favor dos norte-americanos.  

 

A decisão ainda não é pública, mas segundo o Político foi já comunicada a Washington e Bruxelas na passada sexta-feira. Segundo o site de notícias dedicado a questões europeias, assim que for oficial que os subsídios europeus à Airbus são ilegais, Trump fica com caminho aberto para avançar com a imposição de tarifas sobre produtos importados da União Europeia.    

O Político, que cita quatro fontes europeias, destaca que o presidente dos Estados Unidos ganhou o direito a cobrar uma soma que varia entre 5 e 10 mil milhões de euros em tarifas sobre produtos europeus.

 

Washington, que tem reclamado contra o tempo que a OMC está a demorar a adotar uma decisão (o caso remonta a 2006), já fez o trabalho de casa e tem preparada uma lista de produtos europeus que podem ser alvo das tarifas. Esta inclui helicópteros de passageiros, vários queijos e vinhos, fatos de neve, algumas motas, azeitonas, massa, assim como alguns tipos de whiskey, com o objetivo de cobrar 11 mil milhões de dólares.

 

A lista foi anunciada por Trump em abril deste ano, quando o presidente dos Estados Unidos obteve indicações que a decisão da OMC iria ser favorável ao seu país.  

 

Trump terá ainda de esperar que a decisão deixe de ser confidencial (ambas as partes têm agora algumas semanas para juntar comentários e eliminar informação sensível) antes de avançar com tarifas aos produtos europeus, mas ganha força um novo palco de confrontação no comércio mundial, que já está a ser fortemente penalizado pela guerra comercial EUA/China.

 

Isto numa altura em que há mudanças à vista do lado europeu, já que está prestes a entrar em funções uma nova Comissão Europeia. Ursula van der Leyen, na carta de missão que preparou para o comissário do Comércio, pediu que Phil Hogan que reforce o arsenal de ferramentas à disposição da Europa para contra-atacar possíveis investidas comerciais, nas quais se enquadram as ameaças que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem vindo a avançar.  

 

Apesar de Trump ter uma vitória nesta decisão da OMC sobre os apoios europeus para o fabrico do A350 e do A380, o reverso da medalha pode demorar poucos meses. É que a Europa também colocou uma queixa contra os Estados Unidos alegando que a Boeing recebeu apoios ilegais e a decisão da OMC deverá ser conhecida dentro de oito meses, de acordo com fontes citadas pelo Politico.

 
Caso ganhe na OMC, a Europa poderá retaliar com tarifas sobre importações avaliadas em 12 mil milhões de dólares, incluindo de produtos como jogos de vídeo e ketchup. Embora, até ao momento, o bloco europeu se tenha mostrado aberto a conversações de modo a evitar uma aplicação recíproca de tarifas, a atual comissária europeia do Comércio admitiu recentemente que esperava que as tarifas acabassem por avançar.


Uma das soluções para este caso passa por negociações entre Washington e Bruxelas, que possibilitem firmar um acordo entre as duas partes que regule os apoios à indústria aeronáutica. Mas, como lembra uma das fontes europeias contactadas pelo Político, a habitual estratégia dos EUA passa "atingir primeiro e negociar depois". 


Fonte oficial da OMC, sem querer comentar a decisão sobre os apoios à Airbus, avisa que "se avançarem para tarifas, ninguém fica a ganhar".

Numa disputa paralela, a Europa já ameaçou a imposição de tarifas sobre 20 mil milhões de euros de importações norte-americanas caso Trump decida concretizar uma outra ameaça, a de sancionar o bloco com tarifas sobre o setor automóvel. O presidente dos Estados Unidos decidiu, no passado dia 15 de maio, que iria adiar esta decisão por seis meses, alargando desta forma o prazo para as negociações com a União Europeia e o Japão.




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