Mundo Trump impõe novas tarifas de 10% sobre produtos chineses a partir de 1 de setembro

Trump impõe novas tarifas de 10% sobre produtos chineses a partir de 1 de setembro

O presidente norte-americano volta a impor tarifas aduaneiras adicionais sobre produtos chineses que entram nos EUA. Isto depois de ontem ter terminado a ronda de conversações comerciais entre representantes dos dois países, sem que tenham sido anunciados resultados.
Trump impõe novas tarifas de 10% sobre produtos chineses a partir de 1 de setembro
Reuters
Carla Pedro 01 de agosto de 2019 às 18:40

Donald Trump anunciou, na sua conta no Twitter, que a partir de 1 de setembro os EUA vão impor tarifas alfandegárias adicionais de 10% sobre o equivalente a 300 mil milhões de dólares de produtos chineses que entrarem no país. Isto depois dos reveses na tentativa de retoma das negociações comerciais entre Washington e Pequim.


Com estas tarifas, todos os produtos chineses passam a ter taxa adicional à entrada nos Estados Unidos, visto que já foram impostas tarifas de 25% sobre o equivalente a 250 mil milhões de dólares. O total passa assim a 550 mil milhões.

Washington e Pequim retomaram na terça-feira a ronda de conversações com vista à obtenção de um acordo comercial. O representante norte-americano do Comércio, Robert Lighthizer, e a sua equipa reuniram-se com as suas contrapartes em Xangai. Mas o encontro terminou ontem sem quaisquer avanços.

 

Esta foi a primeira reunião entre os representantes das duas maiores economias do mundo desde maio, altura em que as negociações foram suspensas devido a um intensificar de fricções entre ambas as partes.

Trump, nos seus tweets de hoje, não fecha as portas a um entendimento, dizendo que os EUA continuam a procurar prosseguir um diálogo positivo com vista a um acordo comercial.

No entanto, os investidores não esconderam a sua preocupação e acorreram a refugiar-se na dívida norte-americana, em detrimento das acções. Com esta corrida, os juros das obrigações dos EUA a 10 anos caíram imediatamente para níveis de novembro de 2016, a aliviarem 14 pontos base para 1,88%.

 

As bolsas norte-americanas, que estavam a negociar no verde, já inverteram a tendência, com os três grandes índices de Wall Street – Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq – a descerem mais de 0,50%.

Na semana passada, Trump tinha já refreado o entusiasmo dos mercados ao declarar que Pequim estava a "desiludir" por não estar a comprar produtos agrícolas americanos como combinado. 

iPhones e brinquedos na mira

 

As novas tarifas vão incidir sobre importantes produtos que até agora tinham escapado a um agravamento de taxas. É o caso de muitos brinquedos e do iPhone, o que está a fazer as cotações da Apple caírem em bolsa.

O "homem das tarifas", como Trump é conhecido, volta assim a pressionar os chineses, intensificando as tensões comerciais que se arrastam há mais de um ano. Mas os norte-americanos também sentirão na pele os efeitos deste aumento de taxas - os agricultores do país têm vindo a ser bastante penalizados pela retaliação de Pequim, especialmente no que diz respeito à soja que é exportada para a China.

"Tariff Man is back, and American consumers will pay for it", titula a CNN Business. 


(notícia atualizada às 19:03)

 




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