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Trump quer ajudar Roma e disponibiliza-se para comprar dívida pública italiana

Perante o movimento de alienação de dívida pública transalpina por parte de investidores estrangeiros, o presidente dos Estados Unidos oferece ajuda ao governo italiano e coloca-se à disposição para, em 2019, adquirir títulos soberanos da Itália, aliviando a pressão que recai sobre o país.

Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 24 de Agosto de 2018 às 10:38
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À medida que se aproxima a discussão do orçamento italiano para 2019, que se antecipa dever conter um importante aumento de despesa e um relevante decréscimo de receita, temem-se as dificuldades que Itália poderá enfrentar para financiar a sua economia nos mercados de dívida. E numa altura em que se assiste já a um movimento de alienação de dívida pública transalpina por parte de investidores estrangeiros, Donald Trump ofereceu ajuda ao governo italiano colocando-se à disposição para comprar títulos soberanos do país no próximo ano.

De acordo com o Corriere della Sera, que cita três fontes oficiais do governo transalpino, durante a visita à Casa Branca realizada há cerca de três semanas, o primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte ouviu o presidente dos Estados Unidos dizer que em 2019 poderá comprar obrigações soberanas italianas para ajudar Itália a refinanciar a sua dívida, a segunda mais elevada (132% do PIB) da Zona Euro.

Depois do receio relativamente ao cenário de um governo populista e eurocéptico tomar posse em Itália ter elevado para máximos de 2014 os juros exigidos pelos investidores para comprarem dívida italiana no mercado secundário, assiste-se agora a uma debandada por parte dos detentores estrangeiros de dívida pública transalpina. Em causa está o medo quanto à proposta que o governo de aliança entre o Movimento 5 Estrelas e a Liga deverá apresentar em 20 de Outubro, antecipando-se uma inversão no rumo da consolidação orçamental prosseguida pelo anterior governo de centro-esquerda (PD).


Se o executivo chefiado por Conte tinha já admitido incumprir a meta de 0,8% para o défice em 2019 (assim como a meta de 1,6% definida para este ano), esta semana um membro destacado da Liga e do governo assumiu que a intenção de promover uma "grande plano de investimentos em obras públicas" poderá elevar o défice para mais de 3%, o limite máximo definido pelas regras europeias.

O nome pretendido para as Finanças que acabou por assumir a pasta dos Assuntos Europeus, Paolo Savona, falou recentemente na possibilidade de procurar junto de Moscovo uma "garantia" que salvaguarde o refinanciamento da dívida italiana, especialmente no próximo ano em que já não estará em vigor o programa mensal de compra de activos do Banco Central Europeu (BCE). Matteo Salvini, líder da Liga e vice-primeiro-ministro, é defensor do regime russo e apoiante do presidente Vladimir Putin.

Em 2019, o governo de Giuseppe Conte deverá precisar emitir cerca de 400 mil milhões de euros em títulos de dívida soberana, 260 mil milhões dos quais em bilhetes de médio e longo prazo. Tendo em conta um horizonte que se apresenta problemático para Roma, o ministro italiano das Finanças, Giovanni Tria, deverá viajar nos próximos dias até à China para tentar assegurar o apoio de Pequim e convencer investidores.

O também ministro do Interior Salvini, considerou recentemente, em declarações também ao Corriere della Sera, que Itália está a ser alvo de um ataque económico por estar a colocar em causa os ditames da União Europeia. 

Esta sexta-feira, a taxa de juro correspondente às obrigações de dívida italiana com prazo a 10 anos está a subir 2,2 pontos base para 3,11%, na terceira sessão consecutiva em alta.

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