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Ucrânia volta a acusar a Rússia de enviar tropas para solo ucraniano

A acusação de Kiev denuncia uma eventual tentativa de Moscovo de tomar a cidade de Mariupol. Segundo Kiev, tropas e material de guerra russos avançam em direcção à cidade Novoazovsk, perto de Mariupol. Hollande não confirma, nem desmente, avanço das tropas russas. Já Merkel acena com novas sanções contra Moscovo.

David Mdzinarishvili/Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 20 de Fevereiro de 2015 às 15:17
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A Ucrânia acusou esta sexta-feira a Rússia de estar a mobilizar tropas e armamento para território ucraniano. O cessar-fogo assinado na sexta-feira passada continua a ser desrespeitado por ambos os lados da contenda, com os confrontos a agudizarem-se nos últimos dias. Apesar de os combates continuarem em Debaltseve, Kiev acusa Moscovo de mobilizar tropas para tomar a cidade portuária de Mariupol.

 

De acordo com a agência Reuters, as autoridades ucranianas acusaram o Kremlin de avançar para Novoazovsk, cidade junto ao Mar de Azov situada a 40 km da também portuária cidade de Mariupol. É a partir de Mariupol que se estabelece a principal ligação marítima tanto para a península da Crimeia, anexada em Março do ano passado por Moscovo, como para o Mar Negro.

 

A Reuters cita o porta-voz do exército ucraniano, Andriy Lysenko, que acusa Moscovo de "apesar do acordo de Minsk, nos últimos dias tem sido detectada a entrada de equipamento militar e munições" em território ucraniano. Segundo Lysenko, mais de 20 tanques, dez sistemas de mísseis e vários veículos com soldados russos avançam para Novoazovsk.

 

Também na cidade de Debaltseve há registo de confrontos, isto apesar de na quarta-feira cerca de 80% dos soldados ucranianos, segundo informações da presidência ucraniana, terem retirado do nó ferroviário a meio caminho entre Donetsk e Luhansk. O acordo de paz Minsk 2 atribuía Debaltseve ao controlo de Kiev, apesar de o território à volta ser maioritariamente controlado pelos separatistas. As forças pró-russas asseguram que controlam a cidade, e garantem que não pretendem retirar duma cidade que garante uma rápida ligação entre as sedes das duas autoproclamadas repúblicas independentes de Donetsk e Luhansk.

 

A Rússia continua a negar qualquer envolvimento directo das suas forças militares na crise ucraniana. Algo que vem sendo reiterado desde Abril do ano passado, mês que marcou o início das hostilidades. Mesmo a troca de acusações entre Kiev e Moscovo sobre as responsabilidades no conflito continuam, com a Rússia a acusar o exército leal a Kiev de bombardear a cidade de Donetsk, controlada pelos separatistas pró-russos.

 

Dados revelados hoje por Kiev denunciam mais de 300 ataques das forças separatistas, incidindo essencialmente nas imediações de Donetsk e Mariupol. Já na quinta-feira havia dados que indiciavam os avanços das forças pró-russas em direcção a Mariupol, cidade palco de fortes confrontos em final de Janeiro e cujo impacto e gravidade levou a União Europeia (UE) a prolongar e alargar as sanções económicas que pendem sobre Moscovo.

 

Tal como o primeiro cessar-fogo assinado em Misnk a 5 de Setembro, e que foi sistematicamente violado pelas duas partes, também o acordo Minsk 2 firmado na semana passada, e que entrou em vigor à meia-noite de domingo, continua a não ser implementado no terreno. Ontem mesmo, o presidente ucraniano Petro Poroshenko solicitou às Nações Unidas o envio de um contingente de capacetes azuis para a Ucrânia para uma missão de manutenção da paz.

 

Os promotores das rondas negociais de Minsk, a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês François Hollande, estão reunidos em Paris para tentar encontrar uma solução que permita levar Kiev e Moscovo a cumprir os objectivos definidos na capital bielorrussa. Merkel, que na quarta-feira acusou o Kremlin de violar o acordo Minsk 2, admitiu que esta tarefa "não é simples", mostrando, porém, esperança em "conseguir poupar vidas". 

 

Todavia, apesar da esperança demonstrada por Merkel, a líder germânica lembrou que se a via diplomática não der frutos, a Europa poderá avançar com "novas sanções" contra Moscovo. Na segunda-feira, Bruxelas alargou a lista de sanções a 19 indivíduos ucranianos e russos (inclusivamente a altos funcionários do Kremlin). 

 

Pelo seu lado, Hollande afirmou não ter garantias de que haja tanques russos a entrar em solo ucraniano, mas também não desmentiu tal hipótese. "Isso não significa que não esteja a acontecer", admitiu o governante gaulês.

 

Ao longo dos quase 11 meses de conflito na região do Donbass, parte leste da Ucrânia, por várias vezes foram reportadas acções do exército russo que estariam a desrespeitar a soberania e a colocar em causa a integralidade do território da Ucrânia. Em situações diversas, tanto a NATO, como os Estados Unidos ou mesmo a UE, denunciaram forças russas a atravessar a fronteira entre os dois países.

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