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UE suspende fornecimento de equipamentos de segurança ao Egipto

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE) decidiram esta quarta-feira suspender as licenças de exportação de equipamentos de segurança e de armas para o Egipto.

Lusa 21 de Agosto de 2013 às 17:19
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Numa reunião extraordinária em Bruxelas, os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE decidiram ainda rever a ajuda ao Egipto, em resposta à onda de violência que se vive no país há uma semana e que já provocou centenas de mortos.

 

Os países da UE "chegaram a acordo para suspender as licenças de exportação de equipamentos que possam ser utilizados para a repressão interna", revela o texto com as conclusões da reunião, acrescentando que a assistência no domínio da segurança "será revista".

 

No final do encontro, a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, afirmou que a UE vai rever a ajuda ao Cairo, mas mantém "a ajuda destinada aos mais desfavorecidos".

 

"Manifestámos o nosso apoio ao povo do Egipto (...) que é um parceiro essencial" da UE, disse Ashton. "Condenamos firmemente todos os actos de violência e consideramos que as acções dos militares foram desproporcionadas. Apelamos a todas as partes para terminarem a violência", acrescentou Catherine Ashton. 

 

Desde que na passada quarta-feira as forças de segurança egípcias lançaram uma operação para dispersar, no Cairo, concentrações de apoiantes do presidente islamita do Egipto, Mohamed Morsi, deposto a 3 de Julho, mais de 900 pessoas foram mortas em confrontos entre as duas partes.

 
Da queda de Mubarak à queda de Morsi

Em dois anos e meio, o exército egípcio derrubou dois chefes de Estado. Em Fevereiro de 2011 caiu Mubarak, que estava no poder há mais de 30 anos. No passado dia 3 de Julho foi a vez de Morsi. O primeiro era um ditador, o segundo fora eleito. Por trás estiveram sempre protestos maciços.

 

25 Janeiro 2011: Milhares nas ruas contra Mubarak

A 25 de Janeiro de 2011 começaram os protestos contra o governo de Mubarak. Até meados de Fevereiro centenas de milhares de egípcios em todo o País exigiram a renúncia do chefe de Estado. No dia 1 de Fevereiro, mais de um milhão de pessoas tomaram a praça Tahrir, no maior protesto contra o presidente.

 

11 Fevereiro 2011: Presidente Mubarak renuncia ao poder

Após 18 dias de protestos em várias cidades, o vice-presidente Suleiman anunciou na televisão que Mubarak, no poder há mais de 30 anos, renunciava e que o poder seria atribuído ao Conselho Supremo das Forças Armadas.

 

24 Junho 2012: Mohammed Morsi vence eleições

O presidente do partido político fundado pela Irmandade Muçulmana após a Revolução Egípcia venceu na segunda volta das eleições presidenciais, com 51,73% dos votos. Morsi tornou-se o primeiro chefe de Estado islâmico eleito democraticamente.

 

22 Novembro 2012: Morsi reforça poderes pessoais

Justificando-se com a crise, Morsi decretou unilateralmente mais poderes para si, tornando as suas decisões imunes à revisão judicial, até que uma nova Constituição fosse aprovada e um novo parlamento eleito. Esta foi a primeira decisão polémica do novo presidente, que levou a uma onda de protestos.

 

26 Dezembro 2012: Egipto com nova Constituição

A nova Constituição foi traduzida em lei a 26 de Dezembro de 2012, depois de um referendo. Esta nova Carta foi implementada debaixo de vários protestos por parte dos populares que consideravam que a nova Carta traía os ideais da revolução que derrubou o ex-presidente Hosni Mubarak, no início de 2011. Desde então os protestos contra Morsi foram-se repetindo.

 

3 Julho 2013: Morsi deposto pelos militares

Depois de uma série de protestos ao longo dos últimos meses e de um ultimato apresentado ao presidente no final de Junho, Morsi acabou por ser deposto pelos militares e está preso desde então. Outros membros da Irmandade Muçulmana foram detidos.

 

14 Agosto 2013: Dia sangrento após detenção de Morsi

Mais de 500 apoiantes de Morsi que se encontravam acampados desde o início de Julho foram mortos pelas forças militares na passada quarta-feira. Um dia sangrento que levou a União Europeia e os Estados Unidos a reforçarem as suas preocupações.

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