Banco do Japão antecipa juros baixos "por um longo período de tempo"

O Banco do Japão surpreendeu os investidores pela falta de surpresas. A autoridade monetária manteve os juros negativos, introduziu pequenas alterações no programa de compra de activos e cortou as estimativas para a inflação.
Jornal de Negócios
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Ana Batalha Oliveira 31 de julho de 2018 às 07:57

O presidente do Banco do Japão, Haruhiko Kuroda, clarificou esta terça-feira o rumo da política monetária do país. E, ao contrário do especulado, não avançou grandes alterações: os juros nipónicos vão manter-se "extremamente baixos" e durante "um longo período de tempo".

A opção de Kuroda por juros abaixo de zero vem na sequência de um nível de inflação abaixo do esperado. Os esforços para atingir a meta de 2% "mantêm-se mas ainda não são suficientemente firmes", considerou o banco central.  A autoridade monetária cortou as estimativas para a inflação em 2018 de 1,3% para 1,1% e em 2019 espera-se que chegue aos 1,5% ao invés dos 1,8% inicialmente projectados. Para além disto, existe alguma incerteza acerca de um possível aumento de impostos a aplicar no próximo mês de Outubro, que afectaria o consumo.

A promessa duradoura em relação ao nível de juros foi inesperada, não só porque a expectativa era de alterações mais significativas, mas também porque não é habitual que o banco central japonês se pronuncie em relação ao longo-prazo.

Para além destes anúncios, Kuroda avançou que iria fazer modificações no que refere aos destinatários do programa de compra de activos. Quer beneficiar as compras ligadas ao principal índice bolsista japonês, o Topix, de 2,7 biliões de ienes para 4,2 biliões.
O banco vai continuar a adquirir obrigações de forma a que as taxas de juro a dez anos se mantenham "em cerca de zero por cento" indicou o Governador.

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