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Aumento de casos nos EUA e dólar em queda livre não tiram (para já) o sono a Powell

A reunião de dois dias da Reserva Federal dos Estados Unidos termina hoje. Contudo, não são esperadas alterações aos estímulos já avançados pelo banco central, até ao momento, para conter o impacto económico da pandemia.

Gonçalo Almeida goncaloalmeida@negocios.pt 29 de Julho de 2020 às 16:25
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Quando a reunião de dois dias da Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed) terminar, nesta quarta-feira, não se esperam grandes novidades no campo da política monetária, apesar do número crescente de pessoas infetadas com covid-19 e da queda a pique do dólar.

Ainda assim, Jerome Powell, o líder do banco central norte-americano, deverá manter o foco numa política acomodatícia, aguardando pela próxima reunião de setembro, ou mesmo outubro, para sentir melhor o pulso da recuperação económica no país e agir em força, se necessário.

Powell poderá então debater como pode continuar a apoiar as empresas e a economia do país, quando as previsões se tornarem menos sombrias. De acordo com os analistas, a Fed poderá ajustar as compras de títulos do Tesouro e títulos hipotecários. 

Para já, o que se sabe do primeiro dia do encontro é que a Fed vai estender os seus programas de apoio às empresas, que incorpora desde  empréstimos às companhias de pequena dimensão até à compra de "junk bonds", de 30 de setembro até ao dia 31 de dezembro deste ano.

"A deterioração da condição de saúde pública nos EUA está a tornar incerto o crescimento económico. A Fed provavelmente não tomará medidas na sua próxima reunião, mas deve enfatizar os riscos persistentes que pesam sobre a economia e reiterar sua capacidade para fazer mais, se necessário", diz 
Franck Dixmier, analista da Allianz Global Investors (Allianz GI), numa nota. 

Nesta quarta-feira, o dólar dos Estados Unidos continua a perder tração para o euro e está perto de mínimos de cerca de dois anos, frente à moeda única da União Europeia. Só este mês, o dólar depreciou em torno de 4%.

Estas quedas consecutivas estão a ser impulsionadas pela expectativa de que a Fed mantenha as taxas de juro nos níveis atuais (0%-0,25%). Essa foi a perspetiva sublinhada na reunião do banco de junho, com o "dot plot", o quadro que mostra a vontade dos decisores políticos sobre a evolução das taxas, a mostrar que 15 dos 17 membros antecipam que fiquem neste patamar até, pelo menos, o final de 2022. 

"A Fed deve, portanto, enfatizar a persistência dos riscos que pesam sobre a economia e reiterar a sua capacidade para fazer mais, se necessário, em cima dos 11 dispositivos de emergência que ainda não foram totalmente utilizados", reforça Dixmier, adiantando que "num cenário de normalização das condições de mercado (queda na volatilidade, compressão nos spreads e reabertura do mercado de crédito primário), esperamos nos próximos meses uma mudança na orientação futura associada à compra de ativos". 

Os EUA registaram 1.121 mortes por coronavírus na terça-feira, elevando o número médio de mortos nos últimos sete dias para mais de 1.000. No Estado da Florida registam-se recordes diários de mortes há, pelo menos, dois dias consecutivos. Este mês, os responsáveis da Fed alertaram que a economia vai enfrentar uma recessão ainda mais profunda, caso não seja capaz de travar a propagação da covid-19. 

O presidente do Banco da Reserva Federal de Boston, Eric Rosengren, reforça que a economia vai enfrentar "graves consequências económicas" se a resposta de saúde pública não melhorar. A resposta da Fed "não vai ser capaz de contrariar todas as perdas se continuarmos a cometer erros graves de saúde pública", conclui.

A economia dos Estados Unidos criou 7,5 milhões de empregos em maio e junho, mas ainda tem mais 14,7 milhões desempregados do que antes da pandemia.

Para além dos apoios que podem chegar por parte da Fed, os investidores estão atentos aos desenvolvimentos sobre a proposta de 1 bilião de dólares dos republicanos, que encontrou uma intensa resistência dos democratas, uma vez que estão reticentes em reduzir os subsídios de desemprego de 600 dólares por semana para 200 dólares por semana.

Também os analistas do UniCredit consideram que a decisão da Reserva Federal não deve trazer alterações à política monetária, com o banco central focado na implementação dos programas de concessão de crédito no âmbito da pandemia. 
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