Política Monetária Banco de Inglaterra não mexe nos juros enquanto a incerteza sobre o Brexit persistir

Banco de Inglaterra não mexe nos juros enquanto a incerteza sobre o Brexit persistir

O governador do Banco de Inglaterra decidiu manter a taxa de juro inalterada nos 0,75%, até que a situação do Brexit se resolva. A saída da UE está marcada para 31 de outubro, mas a novela pode prolongar-se.
Banco de Inglaterra não mexe nos juros enquanto a incerteza sobre o Brexit persistir
Reuters
Gonçalo Almeida 19 de setembro de 2019 às 12:20

Já era previsto, mas agora confirma-se: Mark Carney, governador do Banco de Inglaterra, anunciou que vai manter a taxa de juro de referência intacta nos 0,75%. A saída do Reino Unido da União Europeia, que tem dividido o país, uniu o banco central nesta decisão e todos os membros votaram neste cenário. Até que se resolva o Brexit, o melhor é mesmo não mexer nas taxas.

"A maior incerteza sobre a natureza da saída da UE é o facto da economia poder seguir uma ampla variedade de caminhos nos próximos anos", segundo as minutas da reunião do Banco de Inglaterra, divulgadas pela Bloomberg. A reposta da instituição vai sempre depender dos efeitos do Brexit. 

O Banco de Inglaterra disse que a inflação pode ser mais fraca do que o esperado se a incerteza em torno da saída da União Europeia persistir. Carney previu ainda que a economia do país cresça 0,2% no terceiro trimestre, abaixo dos 0,3% previstos anteriormente.

Esta decisão do Banco de Inglaterra contraria parte dos bancos centrais do resto do mundo, que estão a optar por políticas monetárias expansionistas. Exemplo disso foram a Reserva Federal dos EUA, que ontem anunciou uma descida de 25 pontos base da sua taxa diretora, como se previa, que ficou agora compreendida entre 1,75% e 2%. Também o BCE, na semana anterior, decidiu baixar a taxa de juro de depósitos para de -0,4% para -0,5% e avançou para a abertura de um novo programa de compra de ativos. 

Os investidores esperam agora que o próximo movimento do Banco de Inglaterra seja um corte nos juros de referência, e não uma nova manutenção. No entanto, enquanto o divórcio com a União Europeia não chegar a vias de facto, os decisores do banco central parecem afastar esse cenário. 

A novela do Brexit teve um novo capítulo recentemente: o primeiro-ministro Boris Johnson disse que o Reino Unido iria deixar o bloco com ou sem acordo no prazo. A 31 de outubro. No entanto, uma votação no parlamento britânico, no início deste mês, travou as pretensões de Boris.

A Câmara dos Comuns decidiu que, para o divórcio ser consumado, terá de ser alcançado até 19 de outubro (dia seguinte à cimeira europeia) um acordo sobre os termos de saída entre os britânicos e o restante bloco europeu. Se esse acordo não for alcançado, não há Brexit a 31 de outubro e será pedido um terceiro adiamento – presumivelmente por mais três meses, ou seja, até 31 de janeiro.




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