Política Monetária BCE: Expectativas de longo prazo para a inflação da Zona Euro atingem mínimos históricos

BCE: Expectativas de longo prazo para a inflação da Zona Euro atingem mínimos históricos

O inquérito do Banco Central Europeu (BCE) aos profissionais que fazem previsões mostra como será difícil atingir o objetivo de uma inflação próxima, mas abaixo de 2%.
BCE: Expectativas de longo prazo para a inflação da Zona Euro atingem mínimos históricos
Reuters
Tiago Varzim 25 de outubro de 2019 às 12:58
Há mais um dado económico a mostrar como a saída de Mario Draghi é agridoce: o presidente do BCE diz que se sente "orgulhoso" de ter sempre cumprido o mandato, mas o objetivo de uma inflação próxima, mas abaixo de 2% deverá continuar por atingir no longo prazo. É isso que mostram os resultados publicados esta sexta-feira, 25 de outubro, do inquérito do Banco Central Europeu (BCE) aos profissionais que fazem previsões sobre a evolução dos preços.

No inquérito realizado em outubro, a média das previsões desses profissionais aponta para uma inflação de longo prazo (cinco anos, ou seja, 2024) de 1,67%, o que representa o valor mais baixo desde 1999, ano em que estes inquéritos começaram a ser feitos. Tal como mostra o gráfico, nem nos anos em que houve deflação (2014 e 2015) na Zona Euro as expectativas em relação aos próximos cinco anos destes profissionais eram tão baixas.

No caso da inflação subjacente ("core") - que exclui bens cujo preço é mais volátil como os bens energéticos e alimentares - de longo prazo, esta baixou de 1,7% para 1,6%.

A previsão média para a taxa de inflação é de 1,2% para 2019 e 2020 e de 1,4% em 2021. "Estes resultados representam, pelo quarta ronda sucessiva, uma revisão em baixa de 0,1 pontos percentuais em média para cada um desses anos em comparação com a ronda de inquérito anterior", escreve o banco central da Zona Euro em comunicado. 

Quanto ao crescimento económico, os profissionais apontam para uma subida do PIB real no longo prazo de 1,4% ao ano, em média. Mas nos próximos dois anos, pelo menos, o crescimento será ainda menor do que a tendência de longo prazo: 1,1% em 2019, 1% em 2020 e 1,3% em 2021.

Já a expectativa em relação à evolução das taxas de juro diretoras do BCE continua a ser baixa: os inquiridos esperam que a taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento se mantenha nos 0% no curto prazo e aumente "marginalmente" para 0,04% em 2021. 

Este inquérito foi realizado na primeira semana de outubro, cerca de um mês após o Conselho do BCE ter decidido implementar um novo pacote de estímulos que inclui o regresso do programa de compra de ativos, uma medida que criou divisão e polémica entre os membros do conselho de governadores.

No entanto, ontem, na última reunião de política monetária do atual presidente do BCE, Mario Draghi disse na conferência de imprensa que, "infelizmente, tudo o que aconteceu desde setembro tem mostrado abundantemente que a determinação do conselho de governadores para agir foi justificada".

Estas expectativas baixas relativas à inflação traçam também o cenário com que a próxima presidente do BCE, Christine Lagarde, que começa o mandato a 1 de novembro, terá de lidar durante os próximos oito anos.



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