Política Monetária BCE ainda pode tirar "coelhos da cartola"

BCE ainda pode tirar "coelhos da cartola"

Vitas Vasiliauskas, membro do Conselho de Governadores, diz que a bazuca do BCE não está descarregada e que o banco central ainda pode fazer "surpresas" aos mercados. "Nós somos pessoas mágicas", atira.
BCE ainda pode tirar "coelhos da cartola"
Bloomberg
Rita Faria 12 de maio de 2016 às 10:43

O Banco Central Europeu (BCE) ainda não esgotou as suas possibilidades, e tem ferramentas para agir se for necessário combater choques económicos e impulsionar a inflação. A garantia é dada por Vitas Vasiliauskas, membro do Conselho de Governadores do banco central.

"Os mercados dizem que o BCE já fez o que podia, que a sua caixa já está vazia", afirmou Vasiliauskas, numa entrevista à Bloomberg. "Mas nós somos pessoas mágicas.  Cada vez que tomamos uma decisão e anunciamos aos mercados, sai um coelho da cartola".

 

Vitas Vasiliauskas, que foi nomeado para um segundo mandato como governador do banco central da Lituânia, em Abril, recusa-se a comentar políticas específicas da autoridade monetária, mas refuta a ideia de que o BCE não será capaz de reagir a choques, tal como uma deterioração súbita da evolução da economia internacional.

 

"Essas conversações e essas especulações estão a acontecer sempre, antes de cada reunião", refere o responsável. "Ainda temos muitas ferramentas e podemos fazer surpresas ao mercado. Por agora, não vejo necessidade de um novo coelho, porque devemos implementar o que foi acordado, o que anunciado".

 

O BCE realiza a sua próxima reunião mensal no dia 2 de Junho, em Viena. No encontro de Maio, a autoridade monetária não fez qualquer alteração ao nível da política monetária depois de, em Março, ter surpreendido tudo e todos com o anúncio de um grande pacote de estímulos. A instituição liderada por Mario Draghi cortou a taxa de juro para 0%, aumentou o volume de compras mensais de 60 para 80 mil milhões de euros, e anunciou quatro novos empréstimos de longo prazo aos bancos, que podem chegar a ter juros negativos.

 

O governador do banco central da Lituânia acredita que as medidas surtirão efeito brevemente. "Provavelmente, vamos terminar este ano com uma inflação positiva, e vai aumentar no próximo ano, e mais ainda em 2018", antecipa o responsável. "A situação está a melhorar em ambas as frentes, do PIB e da inflação. As decisões de política monetária do BCE contribuíram em muito".

 

Vitas Vasiliauskas destaca que a nova ronda de empréstimos aos bancos em que, sob certas condições, o BCE vai pagar para emprestar dinheiro, é especialmente positiva.

"Esta medida, para mim, é muito sexy", afirma Vasiliauskas. "Pode ter um impacto directo sobre a economia real".

 




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