Política Monetária BCE dividido com Draghi de um lado e França e Alemanha do outro

BCE dividido com Draghi de um lado e França e Alemanha do outro

O plano anunciado pelo BCE não reuniu consenso entre todos os governadores. França, Alemanha e Áustria estão contra a compra de dívida privada titularizada, ainda que por razões diferentes, escreve a Bloomberg.
BCE dividido com Draghi de um lado e França e Alemanha do outro
Reuters
Diogo Cavaleiro 03 de outubro de 2014 às 13:04

O Banco Central Europeu está dividido. O italiano Mario Draghi, o presidente da autoridade monetária, encontra-se num dos lados. As duas maiores economias da Zona Euro, França e Alemanha, seguem no outro.

 

A causa do afastamento é o anúncio, feito na quinta-feira, de dois programas de compra de dívida privada titularizada (dívida associada a outros activos), no valor global de 1 bilião de euros nos próximos dois anos, cujo objectivo final é reanimar a economia da região.

 

O governador do banco central da França, Christian Noyer, não está de acordo com a forma como o programa irá decorrer. Segundo a agência Bloomberg, o motivo é o facto de os bancos centrais de cada país não estarem envolvidos nesta compra de dívida privada – através da qual o BCE espera aliviar os bancos de créditos que detenham em carteira para ficarem com maior margem para concederem empréstimos à economia.

 

Já no caso alemão, a razão para a distância entre Frankfurt, onde está sedeado o BCE, e Frankfurt, onde também está o Bundesbank, dever-se-á à dimensão do programa. Os activos da autoridade monetária irão expandir-se em cerca de 50% com os dois planos de aquisição. Jens Weidmann, presidente do Bundesbank, tem-se mostrado contra o excesso de auxílio à economia que Draghi quer dar. Considera que há um risco demasiado elevado para o balanço da instituição. O mesmo motivo é apontado pela Áustria, cujo representante no BCE é Ewald Nowotny, segundo avança a agência Bloomberg. 

 
Os objectivos e as críticas à compra de activos

Após alguma hesitação, o BCE avançou com um programa de compra de dívida privada. Para uns não chega, para outros está a transformar-se num banco mau.

 

Porque é que o BCE compra activos?

O banco central tem vindo a alargar o leque de instrumentos de estímulo monetário, com o objectivo de incentivar a concessão de crédito na economia. Desde o final de 2011, quando Draghi chegou a Frankfurt, o BCE cortou juros para zero, passou a cobrar aos bancos pelos depósitos, concedeu empréstimos de longo prazo (três anos) sem limites de montante, reformulou estes empréstimo este Verão para fornecer liquidez por um prazo ainda mais longo (quatro anos) desde que o dinheiro seja usado para novo crédito. O problema é que apesar disto tudo a economia da Zona Euro estagnou no segundo trimestre, o crédito não cresce e as expectativas de inflação baixaram a barreira dos 2%. O objectivo agora é que tentar aliviar os bancos de activos/créditos que tenham em carteira (crédito hipotecários e a empresas) para que estes possam voltar a emprestar à economia.

 

Quais são as principais críticas?

Os críticos temem que o banco central esteja a assumir demasiado risco ao comprar títulos de muito má qualidade nas economias da periferia - e que mais ninguém compraria. Nesse caso, defendem, trata-se de uma operação com natureza orçamental, na medida em que se existirem perdas, elas terão de ser suportadas pelos orçamentos nacionais. E se não forem, será o BCE a substituir-se aos governos, o que é proibido nos tratados. Um dos críticos mais ferozes da actuação do BCE é Hans Werner-Sinn, o presidente do Ifo, que diz que o BCE se está a transformar num "banco mau". 

 

Pode não chegar?

Sim, o próprio BCE o admite. Para os que defendem um actuação mais enérgica de Frankfurt, o BCE deveria avançar já com um programa de compra de dívida pública, para baixar as taxas de juro da dívida e injectar liquidez em larga escala por toda a Zona Euro, como fez a Fed. Rui Peres Jorge




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