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BCE quer comprar crédito à banca para libertar liquidez às PME

Medida em estudo pela autoridade monetária tem em vista a dívida de cobrança duvidosa detida pelos bancos do Sul da Europa.

Paulo Moutinho 08 de Maio de 2013 às 21:00
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O Banco Central Europeu (BCE) está a ponderar avançar com a compra directa de crédito malparado às instituições financeiras dos países da periferia. A medida, assumida por Jörg Asmussen, permitirá libertar os bancos deste "fardo", aliviando a pressão sobre os rácios de capital. O que funcionará como um incentivo para que o sector comece a aumentar o financiamento às pequenas e médias empresas (PME).

 

A autoridade monetária da Zona Euro pretende reavivar os mercados de obrigações titularizadas ("Asset Backed Securities", ou ABS) para permitir que os bancos possam desfazer-se de parte do risco de crédito, de acordo com um documento obtido pelo jornal alemão "Die Welt". Mas quer mais do que isso. O BCE pretende avançar mesmo com a compra desses activos detidos pelos bancos do Sul da Europa.

 

A ideia é a de que tendo menos risco de crédito em carteira, os bancos terão menores necessidades de capital. E, neste sentido, poderão começar a libertar liquidez para a economia. Esta medida "faz parte do debate sobre o crédito às PME", disse Jörg Asmussen, membro da comissão executiva do BCE, ao "Die Welt", quando questionado se irá, de facto, avançar para a compra de dívida dos bancos da periferia.

 

O objectivo é o de "reactivar o mercado de dívida titularizada, nomeadamente aquela que tem como subjacente dívida resultante do financiamento às PME", acrescentou o responsável durante a audiência na Comissão dos Assuntos Económicos no Parlamento Europeu. "Temos de balancear as necessidades das instituições financeiras, mas também assegurar que os bancos fazem o seu trabalho de fornecer liquidez à economia", rematou.

 

Com esta medida, o BCE procura aliviar a fragmentação dos mercados financeiros europeus da qual, disse Pedro Passos Coelho, "Portugal tem sido uma vítima maior". Continua a haver "diferenciais de taxas de juro muito elevados no acesso ao financiamento pelas empresas" entre Estados-membros, lembrou o primeiro-ministro português. Esse mesmo alerta foi dado por Mario Draghi na última reunião mensal do BCE, onde cortou a taxa directora da Zona Euro para um novo mínimo histórico de 0,5%.

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