Política Monetária Benoît Cœuré pede aos governos “reformas ambiciosas” porque BCE não pode fazer tudo

Benoît Cœuré pede aos governos “reformas ambiciosas” porque BCE não pode fazer tudo

Benoît Cœuré, membro do BCE, pede aos governos da Zona Euro “reformas ambiciosas” pois a autoridade monetária não pode criar sozinha as condições para uma recuperação sustentável.
Benoît Cœuré pede aos governos “reformas ambiciosas” porque BCE não pode fazer tudo
Bloomberg
Ana Laranjeiro 21 de março de 2016 às 10:10

Benoît Cœuré (na foto), membro do Banco Central Europeu (BCE), discursou esta segunda-feira, 21 de Março, em Paris. O economista francês defendeu, de acordo com o Financial Times, que os governos da Zona Euro têm de fazer "reformas ambiciosas" porque o BCE "não pode, por si só, criar as condições para uma recuperação sustentável do crescimento". "Reformas ambiciosas continuam a ser necessárias na maioria das economias da Zona Euro dado o baixo potencial de crescimento e o elevado desemprego estrutural", afirmou.

Benoît Cœuré sustentou também que medidas para aumentar a produtividade e melhorar o ambiente empresarial são essenciais para aumentar o investimento e impulsionar a criação de postos de trabalho. Por outro lado, defendeu igualmente que todos os países podem tornar as suas estruturas fiscais mais favoráveis para o crescimento e redireccionar os seus gastos públicos em direcção ao investimento, investigação e educação.

O economista francês sustentou, de acordo com o jornal económico britânico, que as políticas da autoridade monetária da Zona Euro "apoiaram a procura por bens e serviços" na região, "melhoraram as condições financeiras e repararam a fragmentação financeira".

O responsável defendeu também que os estados-membros da Zona Euro têm de alcançar uma convergência mais próxima e é necessário criar um departamento do "Tesouro na Zona Euro". A cargo deste departamento fica a gestão da estabilidade financeira da área do euro e a implementação das ferramentas orçamentais, de acordo com o The Guardian.

Benoît Cœuré defendeu ainda no seu discurso, segundo este jornal britânico, que "o progresso da integração europeia aumentou a interdependência entre os estados-membros". Porém, "ainda não foram desenhadas todas as conclusões necessárias e os políticos europeus ainda não têm as ferramentas que vão permitir-lhes responder às expectativas" colocadas sobre eles.

"Esta lacuna alimenta a frustração popular com os políticos europeus, por vezes ao ponto de questionarem a própria integração europeia. Não há nada de inevitável sobre o 'status quo', mas, para seguir em frente, temos de redefinir o projecto comum. Vai demorar muitos anos a implementar este projecto. É ainda mais urgente começar a defini-lo", acrescentou, citado pelo The Guardian.

Estas palavras têm lugar depois de na última sexta-feira, Peter Praet, economista-chefe do BCE, ter reconhecido que o crescimento da Zona Euro continua fraco. E não ter colocado de parte um corte de juros, "corrigindo" a frase de Draghi que "assustou" os mercados.

No passado dia 10 de Março, o Banco Central Europeu anunciou que a taxa de juro central baixa de 0,05% para 0% e que a taxa de depósito passa de -0,3% para -0,4%. Mario Draghi, presidente da autoridade monetária, anunciou após a reunião de 10 de Março um novo reforço ao programa de compra de activos, aumentando do volume de compras mensais de 60 para 80 mil milhões de euros, a começar em Abril. Isto equivale a mais 240 mil milhões de euros injectados na Zona Euro.

Além disso, o BCE também comprará obrigações de empresas e poderá pagar aos bancos por empréstimos de longo prazo.

 




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