Política Monetária Bundesbank não ficou sozinho na oposição ao programa de compra de dívida do BCE

Bundesbank não ficou sozinho na oposição ao programa de compra de dívida do BCE

Eram conhecidas as profundas reservas de Jens Weidmann, mas houve pelo menos outros três governadores que ofereceram resistência a Mário Draghi, segundo a Bloomberg. Presidente do BCE diz que não foi preciso votar.
Bundesbank não ficou sozinho na oposição ao programa de compra de dívida do BCE
Eva Gaspar 22 de janeiro de 2015 às 20:45

Mário Draghi disse que não foi preciso votar porque foi possível constatar uma expressiva maioria de apoio em torno da decisão de avançar com um amplo programa de activos alargado a títulos de dívida privada e pública. Mas segundo a Bloomberg, não foi apenas o governador do banco central alemão que se opôs ao lançamento da "bazuca", depois de Jens Weidmann ter sido o único, em 2012, a opor-se à compra de dívida pública de países resgatados ou em risco de o ser, no que ficou conhecido por programa de Transacções Monetárias Definitivas, ou OMT, cuja legalidade ainda se esgrime entre  Tribunal Constitucional alemão e o Tribunal Europeu de Justiça. 

 

De acordo com fontes da agência noticiosa norte-americana, os governadores dos bancos centrais da Áustria, Holanda e Estónia levantaram também reservas, que eventualmente poderão ser conhecidas quando o BCE revelar as actas da reunião desta quinta-feira. Desfavorável terá ainda sido a posição de Sabine Lautenschlaeger, a alemã que integra o "directório" do BCE.

 

Weidmann tem argumentado que os riscos de deflação na Zona Euro dificilmente poderão ser combatidos com a injecção de mais liquidez nos circuitos financeiros, porque o baixo crescimento dos preços decorre da fragilidade da economia, o que exige de reformas estruturais frequentemente impopulares, nos mercados de trabalho e de produtos, que são competência dos governos.

 

Em sua opinião, políticas monetárias ainda mais expansionistas por parte do BCE tenderão a alimentar bolhas especulativas, ao mesmo tempo que a compra de títulos de dívida pública abre, pelas traseiras, a porta a financiamento monetário dos Estado, o que é vedado pelos Tratados da União Europeia.

 

Na Alemanha, a argumentação de Weidmann é amplamente partilhada por vários economistas e responsáveis políticos. Na sequência do anúncio do BCE de que comprará títulos até ao montante de 60 mil milhões de euros por mês, a partir de Março próximo e até, pelo menos, Setembro de 2016, Hans Michelbach, membro destacado da CSU - o partido bávaro "irmão" da CDU de Merkel -  afirmou à Bloomberg que o BCE está assumir demasiados riscos, pelo que deixou de ser um "bastião de estabilidade". Com o programa agora anunciado, o BCE espera aumentar a taxa de inflação em 0,4 pontos percentuais neste ano e 0,3 no próximo, segundo avança a Bloomberg.

 

Mais longe foi Peter Gauweiler, deputado da CDU, que disse estar a preparado para desafiar nos tribunais a decisão do BCE. "A Alemanha não pode ser forçada a aceitar a responsabilidade de compras de dívida pública de outros Estados sem a autorização expressa do Bundestag", argumenta. "O senhor Draghi até pode ir para a política em Itália ou ser eleito para o Parlamento Europeu, mas neste momento ninguém o elegeu para tomar decisões de política económica em nome dos povos da Europa", disse em entrevista à revista Focus, citada pela Bloomberg. Este deputado já antes havia afirmado que desafiaria decisões do BCE caso este se propusesse comprar activos com "rating" abaixo da notação de "investimento de qualidade", alegando que o BCE parece ter "perdido o juízo" e arrisca converter-se num "banco tóxico".

 

Angela Merkel, por seu turno, repetiu esta tarde que o BCE "é uma instituição independente" e que a decisão anunciada por Draghi de alargar o programa de compra de activos do banco central a títulos de dívida - privados e públicos - deve ser lida nesse contexto. Falando em Davos, a chanceler alemã repetiu, por seu turno, que o programa de compras do BCE, destinado a aumentar a oferta de liquidez na expectativa de impulsionar a actividade económica e a inflação, que não deve reduzir o sentido de urgência de reformas estruturais, frequentemente impopulares, que devem ser feitas pelos Governos para aumentar o potencial de crescimento das economias europeias.




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