Política Monetária Coeure: BCE pode aumentar programa de compra de dívida caso o impacto na inflação não seja suficiente

Coeure: BCE pode aumentar programa de compra de dívida caso o impacto na inflação não seja suficiente

Benoit Coeure, do Banco Central Europeu, revelou à Bloomberg que a autoridade monetária pode aumentar ou expandir o programa de alívio quantitativo – lançado esta quinta-feira – caso o impacto na inflação não seja o suficiente.
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Ana Laranjeiro 23 de janeiro de 2015 às 17:33

O Banco Central Europeu (BCE) estará disponível para aumentar ou expandir o seu programa de alívio quantitativo caso o impacto na inflação, deste programa, não seja suficiente. A revelação foi feita por Benoit Coeure, membro do Banco Central Europeu, em entrevista à Bloomberg, no Fórum de Davos, na Suíça.

 

"Senão tivermos alcançado o que queremos alcançar e devo dizer que deveríamos alcançar, porque é o mandato do BCE e está no Tratado – que é ter a firme perspectiva que a inflação regressa aos 2%, próximo dos 2%, mas abaixo dos 2%, digamos, a médio prazo – então teremos de fazer mais ou teremos que fazê-lo por mais tempo", afirmou.

 

"Está previsto durar até Setembro de 2016 e depois vamos reexaminar e vamos ver se é suficiente ou se não é suficiente. Fomos capazes de desenhá-lo de uma forma que trouxe o maior número possível de pessoas a bordo. Por isso, sim, estamos felizes", acrescentou.

 

Esta quinta-feira, 22 de Janeiro, a autoridade monetária do euro tomou uma decisão inédita: anunciou um programa de compra alargada de títulos pelo BCE, o qual incluirá dívida pública e privada, no montante total mensal de 60 mil milhões de euros. A medida estará no terreno até Setembro de 2016, e manter-se-á até que a inflação da Zona Euro comece a recuperar uma tendência compatível com a meta de 2% que define o mandato do BCE.

 

As compras serão feitas ao ritmo de 60 mil milhões de euros por mês a partir de Março, um valor que inclui também as compras ao abrigo dos programas de compra de dívida titularizada privada que já estão no terreno desde o final de 2014. Não inclui compra de dívida de empresas como chegou a ser admitido.

 

O valor avançado pelo presidente do BCE fica acima das expectativas de mercado que, na última semana, apontavam para um montante total entre 500 a 700 mil milhões de euros, não ultrapassando os 50 mil milhões de euros por mês. Vão até acima dos números que, segundo a Reuters e a Bloomberg, terão sido apresentados ao Conselho de 28 governadores ontem e hoje pela Comissão Executiva do BCE (os seis membros permanentes que trabalham em Frankfurt).

 

No caso de Portugal, o BCE, através do Banco de Portugal, comprará até 1,45 mil milhões de euros por mês de dívida portuguesa, incluindo dívida pública e os títulos que já estavam abrangidos pelos dois programas que arrancaram em Outubro ("covered bonds" : obrigações privadas sobre hipotecas e obrigações sobre crédito bancário ao sector público; e ABS - Asset Backed Securities: dívida titularizada com créditos a empresas como activos subjacentes).

 




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