Política Monetária Draghi sobre Europa: "As coisas não estão a correr bem"

Draghi sobre Europa: "As coisas não estão a correr bem"

O presidente do BCE diz compreender o descontentamento, mas recusa que os problemas se devam ao euro e ao BCE. Aproveita para defender as reformas estruturais e relembrar a França das recomendações que recebeu.
Draghi sobre Europa: "As coisas não estão a correr bem"
Bloomberg
Rui Peres Jorge 02 de outubro de 2014 às 18:21

O presidente do BCE reconhece que a Europa não está em boa forma e que por isso é normal que exista descontentamento, embora recuse que os problemas se devam ao euro ou ao BCE. Mario Draghi respondeu ao pedido de comentário sobre as manifestações anti-austeridade que decorreram em Nápoles, onde se reuniu o Conselho de Governadores.

 

"É muito compreensível: as coisas não estão a correr bem". De um lado da Europa há "desemprego persistente e actividade económica muito baixa, e até uma recessão que parece nunca mais acabar", do outro, continuou, "as pessoas sentem que estão a pagar por todos os outros".

 

A Zona Euro estagnou no segundo trimestre, com a economia alemã a recuar 0,6% face aos três meses anteriores. França também recuou 0,1% e Itália 0,8%. Os últimos dados de produção industrial na região publicados nas últimas semanas também desapontaram.

 

"A economia ainda está fundamentalmente fraca", afirmou o BCE. "O recente abrandamento do momento de crescimento da Zona Euro, juntamente com riscos geopolíticos mais elevados, poderão prejudicar a confiança e, em particular o investimento privado", afirmou

 

Mas se compreende o descontentamento, o presidente do BCE recusa responsabilidades: "o euro não é a causa" dos problemas, afirmou, frisando que, mesmo sem moeda única, as economias teriam de fazer reformas estruturais e reduzir o défice orçamental e que, em alguns casos, até poderia ser mais difícil fazê-lo se as economias não tivessem a estabilidade garantida pela união monetária. "É compreensível, mas não concordo". "Esta descrição do BCE como o actor culpado precisa de ser corrigida". "Outras áreas de política têm de contribuir de forma decisiva", acrescentou, voltando a defender a urgência das reformas estruturais e necessidade de que os países "com margem orçamental, a usem".

 

Draghi lembra Hollande das últimas recomendações europeias

 

O presidente do BCE aproveitou a conferência de imprensa para comentar a intenção, anunciada quarta-feira pelo Executivo francês, de suavizar o seu esforço de consolidação orçamental, adiando para 2017 o objectivo de puxar o défice para um valor inferior a 3% do PIB, argumentando que a economia está demasiado fraca para aguentar mais austeridade.

 

O plano já mereceu a crítica de Angela Merkel e apoio de Mateo Renzi, o primeiro ministro italiano, e parece não ter agradado muito ao BCE que lembrou as recomendações europeias de Julho ao governo de François Hollande.

 

"Os Estados membros da Zona Euro, a Comissão, o BCE, todos nós temos muito interesse em que a França regresso ao crescimento e emprego", começou por responder, acrescentando que "temos confiança que o governo irá implementar com determinação o pacto de responsabilidade e as outras reformas". Draghi lembrou que em França, ao longo dos anos, já se discutiram e prepararam muitas reformas, e que "agora é tempo de implementação".

 

O presidente do BCE seguiu depois para afirmar que na frente orçamental, o Conselho da UE, "que é formado por todos os nosso líderes, incluindo os franceses" recomendou em Julho à França que "reforçasse a estratégia orçamental em 2014", e que garantisse a correcção do défice excessivo de forma sustentável até 2015". Não indo mais longe, Draghi lembrou que em Novembro haverá a avaliação europeia ao orçamento francês.




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