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Draghi sobre Portugal: "A incerteza política faz parte da democracia"

Mario Draghi diz que a incerteza nunca é boa para a economia, mas acrescentou logo de seguida que a incerteza política é uma das marcas da democracia. Foi assim que comentou a situação política em Portugal e Espanha.

BCE
Rui Peres Jorge rpjorge@negocios.pt 22 de Outubro de 2015 às 14:40
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O presidente do BCE foi instado a comentar a situação política em Portugal, em particular o facto de partidos anti-euro poderem chegar ao Governo. Mario Draghi recusou entrar em detalhes mas lembrou que se a incerteza é má para a economia, ela é também uma parte inevitável da democracia.

Questionado por um jornalista italiano sobre a incerteza política em Portugal e Espanha, e em particular em Lisboa, onde após as eleições se negocia um governo em que partidos críticos da moeda única poderão chegar ao poder, Mario Draghi começou por dizer que "não" quer comentar desenvolvimentos políticos. Mas acrescentou depois, de forma breve, a sua posição: "A incerteza é má para a economia", para as decisões de investimento e para o crescimento, mas atirou logo de seguida que "a incerteza política faz parte da democracia".

As declarações chegam numa semana em que várias casas de investimento tem expressado apreensão para com a possibilidade de um governo de esquerda, formado por uma coligação entre PS, Bloco de Esquerda e PCP, venha a substituir a coligação de direita que governou o País nos últimos anos.

A apreensão declarada não têm no entanto tido reflexo significativo nas taxas de juro da dívida pública nacional, um dos principais indicadores de risco do País. Quarta-feira, dia 21 de Outubro, Portugal conseguiu até emitir dívida pública de curto prazo a taxas negativas. Em parte este desempenho positivo da dívida deve-se à intervenção do BCE, ao abrigo do seu programa de compras de activos - que Mario Draghi admitiu reforçar.

O PCP foi a eleições com um programa que propõe o inicio do estudo da saída do País da Zona Euro, e o Bloco defendeu um referendo ao tratado orçamental. Ambos defendem que Portugal deveria reestruturar a sua dívida pública. Esses são no entanto medidas que estão fora das condições que colocaram para apoiar um governo do PS no parlamento. António Costa, líder dos socialistas, garante que governará dentro das actuais regras da moeda única, e que essa é uma condição para formar um governo apoiado à esquerda.

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