Política Monetária Draghi: Taxas de juro baixas não são a causa mas o “sintoma” do problema

Draghi: Taxas de juro baixas não são a causa mas o “sintoma” do problema

O presidente do BCE defende que a normalização das taxas de juro exige reformas estruturais para reequilibrar a poupança e o investimento e, na Europa, a eliminação das incertezas quanto ao futuro da UE e da Zona Euro.
Draghi: Taxas de juro baixas não são a causa mas o “sintoma” do problema
Reuters
Rita Faria 02 de maio de 2016 às 16:38

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, defende que as taxas de juro baixas, a nível global, são um "sintoma" dos desafios que se colocam à economia, e não a sua causa.

Num discurso proferido esta segunda-feira, 2 de Maio, no encontro anual do Banco Asiático de Desenvolvimento, Draghi lembrou que, actualmente, 18% da economia global opera num ambiente de juros baixos, com a percentagem a subir para 40% se considerarmos países com juros entre zero e 1%.  

O responsável reconhece que os juros muito baixos "não são inócuos", já que colocam pressão sobre os modelos de negócio das instituições financeiras, afectam os rendimentos dos pensionistas e as poupanças dos aforradores.

"Há a tentação de concluir que, como as taxas muito baixas geram desafios, elas são o problema. Mas não são o problema. São o sintoma de um problema subjacente, que é a insuficiente procura de investimento, em todo o mundo, para absorver todas as economias disponíveis", diagnostica o presidente do BCE, no discurso disponibilizado no site da instituição

Nesse sentido, para que as autoridades possam elevar novamente os juros para níveis sustentáveis "são as causas subjacentes que devem ser abordadas", indica.

Na Zona Euro, em particular, o presidente da autoridade monetária destaca a necessidade de uma política de estabilização macroeconómica expansionista para suportar a procura. "Isso permitirá que a inflação atinja o nosso objectivo e, com o tempo, que a taxa de juro de referência regresse aos níveis de longo prazo", acrescenta.  

Eliminar incertezas para impulsionar investimento e consumo

No entanto, Draghi ressalva que a política monetária, por si só, não é suficiente. São necessárias reformas estruturais "que provoquem um reequilíbrio estrutural da poupança e do investimento".

No caso da Europa, é ainda necessário reformar a governação da Zona Euro para remover as dúvidas "persistentes" sobre o seu futuro. "Há poucas dúvidas de que os pontos de interrogação sobre o futuro da Zona Euro e da União Europeia, em geral, estão a contribuir para a incerteza de indivíduos e empresas, e que isto pode conter o consumo e o investimento. A eliminação desta incerteza vai ajudar a impulsionar o consumo e o investimento em todo o continente", antecipa Draghi.

Para mim, não há dúvidas de que a reforma institucional na União Europeia e na Zona Euro tem benefícios económicos reais. Para todos aqueles que querem ver um regresso a níveis de juros mais normais, esta é uma parte essencial da solução", conclui. 

Recorde-se que, na reunião de política monetária de Março, o Banco Central Europeu decidiu cortar a taxa de juro de referência de 0,05% para 0%, um novo mínimo histórico, ao mesmo tempo que desceu a taxa de depósitos, para -0,40%, e a taxa de refinanciamento, para 0,25%.

O presidente da instituição admitiu que "as taxas de juro vão ficar nos níveis actuais ou mais baixas por um longo período, para lá do fim do programa de compra de activos", que deve terminar em Março de 2017. 





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