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Draghi: "Enfrentamos uma tarefa hercúlea para fomentar o crescimento e reduzir o desemprego"

Mario Draghi enviou também um recado à Alemanha e ao Bundesbank, em entrevista, defendendo que os países da Zona Euro precisam de se comportar mais como uma família e menos como negociantes.

Reuters
André Cabrita-Mendes andremendes@negocios.pt 02 de Outubro de 2014 às 10:47

A Zona Euro tem um grande desafio pela frente para regressar ao crescimento e aumentar o emprego na região da moeda única, considera o presidente do Banco Central Europeu (BCE).

 

Em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, Mario Draghi enviou também um recado à Alemanha e ao Bundesbank, defendendo que os países da Zona Euro precisam de se comportar mais como uma família e menos como negociantes. 

 

O líder da autoridade monetária recorreu à mitologia grega para falar sobre a Europa e os desafios que tem pela frente. "Muitas vezes em Itália e na Zona Euro temos a sensação que enfrentamos uma tarefa hercúlea para fomentar o crescimento e reduzir o desemprego", disse em Nápoles, Itália, onde vai decorrer esta quinta-feira, 2 de Outubro, a reunião do Conselho do BCE.

 

"E como Hércules, como aconteceu com a Hidra, parece que assim que superamos um desafio – como a crise da dívida soberana – agora temos dois novos testes, como a inflação baixa e uma fraca recuperação", acrescentou.

 

Sobre a oposição da Alemanha e do Bundesbank às medidas de estímulo aprovadas recentemente pelo BCE, Mario Draghi defende que a Zona Euro deve ser como uma família.

 

"Como Jean Monnet disse, não nos devemos sentar em lados opostos da mesa como inimigos. Mas devemos todos sentar-nos como parceiros no mesmo lado da mesa, com os nosso desafios – desemprego elevado, baixo crescimento e baixa inflação – do outro lado da mesa", apontou, relembrando um dos pais fundadores da União Europeia e um dos seus principais arquitectos.

 

"A mesa europeia não é uma mesa de negociação onde cada país, cada instituição, traz os seus próprios problemas. Deve ser uma mesa familiar onde todos se sentam à procura de uma solução para um problema comum", defendeu o líder do BCE.

  

Neste momento, a Zona Euro enfrenta dois grandes desafios: cíclico, porque a procura é muito baixa; e estrutural, porque o potencial de crescimento é insuficiente, sublinhou. Só se os dois desafios forem enfrentados ao mesmo tempo, é que vai ser possível alcançar o crescimento sustentável, defende.

 

A baixa inflação é um dos grandes problemas da região da moeda única (actualmente nos 0,3%), e o objectivo é regressar para um valor, abaixo, mas próximo dos 2%. 

 

Dada a elevada dívida pública em muitos países, somente com reformas estruturais que aumentam o crescimento e a sustentabilidade da dívida é possível criar espaço para "restaurar a confiança", considera Mario Draghi.

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