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Draghi: "Não vemos os comportamentos típicos da despesa que caracterizam a deflação"

Presidente do BCE diz que não vê riscos deflação na Europa e recusa a proposta de Paul Krugman de subir o objectivo de inflação da Zona Euro para 4%. "E quanto teria a Alemanha?", perguntou.

Rui Peres Jorge rpjorge@negocios.pt 27 de Maio de 2014 às 17:25
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O Presidente do BCE volta a afastar qualquer cenário de deflação na Zona Euro, embora reconheça que há problemas nos fluxos de crédito para as PME, em particular nos países sob stress. Draghi aproveitou a última sessão do Fórum de Sintra para se distanciar da proposta mais polémica da manhã: uma subida do objectivo de inflação de 2% para 4%.

 

"Nós não vemos nem uma espiral deflacionista, nem o comportamento típico da despesa que caracteriza a deflação" como o adiamento de despesas de investimento e consumo, afirmou, evidenciando a elevada heterogeneidade de situações dentro da Zona Euro. Na segunda-feira Draghi admitiu o risco de algumas economias na periferia enfrentarem deflação, e reconheceu que há problemas graves de acesso a crédito em economias como Portugal. Este não é no entanto, um problema geral, reforçou.

 

A heterogeneidade da região foi também usada para se afastar da proposta colocada à discussão por Paul Krugman de aumentar a meta de inflação do BCE de 2% para 4%. Isto porque considerando que esse é o valor médio, tal alteração implicaria por exemplo que neste momento que se apontasse para uma inflação bem superior na Alemanha – onde reinam os europeus mais cépticos quanto ao aumento de preços. "Quando o Paul sugere uma inflação de 5% [essa seria uma média] pergunto-me qual seria o valor para a Alemanha. Não quero nem pensar nisso", perguntou.

 

Novidades sobre mercado de dívida de PME na sexta-feira

 

O presidente do BCE aproveitou a tarde para anunciar que sexta-feira será publicado um relatório conjunto entre BCE e Banco de Inglaterra sobre como dinamizar o mercado de dívida titularizada das empresas ("Asset Backed Securities") de forma a facilitar o acesso a acesso a crédito, especialmente a PME.

 

"As PME representam quase 80% do emprego na Zona Euro" e pretendemos actuar "porque as restrições de crédito limitam a nossa capacidade de entregar o objectivo de estabilidade de preços a que estamos comprometidos", explicou Draghi, avisando no entanto que há muito trabalho a fazer. Tanto trabalho que poderá demorar um ano até se conseguir um mercado relevante de ABS a funcionar.

 

Entre os problemas identificados estão questões regulatórias, transparência nos "ratings" e na informação sobre este tipo de activos, uniformização de regras entre países e tipos de créditos, definição de princípios sobre titularizações de alta qualidade, entre outros factores.

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