Política Monetária Ex-presidente do Bundesbank diz que Draghi tem razão em pedir estímulo ao Governo alemão

Ex-presidente do Bundesbank diz que Draghi tem razão em pedir estímulo ao Governo alemão

O ex-presidente do Bundesbank, Axel Weber, considera que a política orçamental da Alemanha deve reagir à travagem da economia, que arrisca a entrar em recessão.
Ex-presidente do Bundesbank diz que Draghi tem razão em pedir estímulo ao Governo alemão
Bloomberg
Negócios com Bloomberg 25 de setembro de 2019 às 16:34
O atual presidente do Bundesbank (banco central alemão), Jens Weidmann, considerou que ainda não é preciso um estímulo orçamental. O seu antecessor discorda: o ex-presidente do Bundesbank, Axel Weber, afirmou na Bloomberg TV que a Alemanha tem de abrir os cordões à bolsa, concordando assim com o apelo de Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE).

Em causa estão as declarações nas últimas intervenções em que o presidente do BCE colocou ainda mais ênfase na necessidade da política orçamental entrar em jogo agora que a política monetária se vê sem ferramentas suficientes para contrariar a desaceleração da economia. Os comentários não referiam diretamente a Alemanha ou a Holanda, mas sim indiretamente dado que Draghi apontou o dedo aos países que têm mais margem de manobra, ou seja, excedentes orçamentais e uma dívida pública baixa.

Esta é uma visão acompanhada por Axel Weber. Para o ex-presidente do Bundesbank "este não é um contexto em que a política orçamental da Alemanha, assumindo que o segundo semestre será igual ao primeiro semestre [em termos do PIB], deveria ter um grande excedente de 3%". "A política orçamental precisa de reagir", afirmou, acrescentando que é "absolutamente adequado" o apelo dos bancos centrais - que têm estado "sozinhos" a sustentar o crescimento económico - para que os Estados gastem mais e façam reformas estruturais. 

Entrevistado na qualidade de chairman do banco suíço UBS, Weber afirmou que na Alemanha "deveria haver algum investimento orientado para o longo-prazo e despesa orçamental orientada para as infraestruturas", dando o exemplo das pontes, autoestradas, da tecnologia 5G, entre outros. "O mais fácil de se fazer é uma reforma fiscal, e se não se quiser uma reforma do IRS [imposto sobre os rendimentos], pode-se fazer uma reforma do IRC [impostos sobre os lucros das empresas]", disse, sugerindo que a Europa tem de responder à vantagem dos EUA na "competitividade fiscal" que resultou da última reforma fiscal introduzida por Donald Trump.

Apesar de os dados económicos indicarem que a Alemanha está prestes a entrar em recessão, tanto a chanceler Angela Merkel (CDU) como o ministro das Finanças Olaf Scholz (SPD) têm mantido a política de "défice zero". O Governo tem admitido que pode gastar mais para contrariar a travagem económica e também para avançar com um pacote climático para combater a emergência ambiental, mas sempre cumprindo a regra de um saldo orçamental equilibrado, o que limita a dimensão dos gastos que podem ser feitos.

Axel Weber foi presidente do Bundesbank entre 2004 e 2011, um cargo que abandonou por "razões pessoais" numa altura em que era apontado para suceder a Jean-Claude Trichet na liderança do BCE, lugar que veio a ser ocupado por Mario Draghi. Weber foi um dos oponentes dentro do conselho de governadores do BCE em relação ao primeiro programa de compra de dívida de países da Zona Euro, o SMP, o qual envolveu compra de dívida pública portuguesa. 

Também nesta entrevista o ex-presidente do Bundesbank recusou dizer que as medidas de Draghi no BCE "salvaram o dia", ou seja, a economia da Zona Euro, argumentando que "os efeitos adversos" das taxas de juro negativas são "bastante pronunciados" na rentabilidade do sistema bancário.

Ainda assim, Weber é mais uma voz de peso que pressiona o Governo alemão a abrir os cordões à bolsa para contrariar os dados económicos que apontam para uma fase de recessão na economia alemã. Ainda esta quarta-feira o presidente da federação industrial alemã (BDI) apelou ao Governo para esquecer a regra do "défice zero" e concentrar-se na trajetória da dívida pública apenas, o que permitiria aumentar os gastos orçamentais.



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