Política Monetária Fed antecipa para "breve" nova subida dos juros

Fed antecipa para "breve" nova subida dos juros

Os responsáveis da Reserva Federal norte-americana consideraram, unanimemente, na sua última reunião de política monetária, que o panorama económico dos EUA garante para breve uma nova subida dos juros.
Fed antecipa para "breve" nova subida dos juros
Bloomberg
Carla Pedro 23 de maio de 2018 às 19:07

Na última reunião da Reserva Federal dos Estados Unidos, que ocorreu a 1 e 2 de Maio, os responsáveis da Fed foram da opinião que as perspectivas económicas do país justificam para "breve" uma nova subida dos juros directores e assinalaram que não estão com pressa para endurecer a política monetária de modo mais agressivo.

 

Nas actas da reunião da Fed, hoje divulgadas, é sublinhada a robustez da economia dos EUA nos últimos meses e os responsáveis do banco central não estão preocupados com o facto de a inflação poder superar a sua meta dos 2%.

 

"A maioria dos intervenientes considerou que se os dados que chegarem entretanto confirmarem o actual panorama económico, seria adequado, em breve, o comité dar mais um passo na retirada das políticas acomodatícias", referem as actas do Comité Federal do Mercado Aberto (FOMC).

 

Um "período temporário de inflação modestamente acima dos 2% seria consistente com o objectivo simétrico do comité para a inflação e poderia ser útil para ancorar expectativas de mais longo prazo para a subida dos preços", segundo as actas.

Mas, apesar de se confirmar que o banco central está em vias de subir os juros na sua próxima reunião, a 12 e 13 de Junho, os responsáveis da Fed mostraram-se relutantes em declarar vitória quanto à meta da inflação numa base sustentável, salienta a Bloomberg.

 

"Sublinhou-se que era prematuro concluir que a inflação se manterá em níveis em torno dos 2%, especialmente depois de vários anos em que a inflação ficou persistentemente abaixo dessa meta", diz o documento.

 

O comunicado de Março da Fed já aludia à expressão "meta simétrica" de 2%, o que levou o mercado a acreditar que o banco central ficará confortável mesmo que a inflação supere o objectivo, e que isso não o fará desviar-se do seu plano de continuar a subir os juros de forma gradual.

 

Primeira subida foi em Março

O novo presidente da Reserva Federal norte-americana, Jerome Powell, presidiu à sua primeira reunião de política monetária do banco central em Março, com o esperado aumento de 25 pontos base da taxa dos fundos federais, que passou para um intervalo entre 1,50% e 1,75%.

 

A recuperação do mercado laboral e da taxa de inflação dos EUA justificaram esta decisão, anunciada a 21 de Março, que fez aliás com que as estimativas dos analistas para o número de subidas em 2018 dos juros norte-americanos passassem de três para quatro. Os analistas do Barclays e do Berenberg, por exemplo, consideram que quatro aumentos dos juros em 2018 pareciam apropriados e consistentes com o objectivo de normalização gradual da política monetária. 

Mas apesar de o próprio Powell ter já dado a entender que poderá haver quatro aumentos dos juros, os responsáveis da Fed mantiveram em Março a sua previsão de apenas três subidas, à semelhança do que aconteceu em 2017.

 

A importância da inflação

Além da evolução do emprego, os dados da inflação são determinantes para a definição do rumo da política monetária da Reserva Federal, mas a Fed segue uma medida diferente de inflação. A medida que serve de referência ao banco central é o índice de preços dos gastos pessoais dos consumidores, que está muito próximo da meta central da Fed.

 

Em Março, este índice (excluindo os preços da energia e alimentos) acelerou para 1,9%, e os economistas antecipam que atingirá a meta dos 2% este mês.


(notícia actualizada às 19:32)




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