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Fed mantém juros diretores no zero e diz que vírus coloca "riscos consideráveis"

O banco central dos EUA decidiu não mexer na taxa dos fundos federais, que se manteve assim num intervalo compreendido entre os 0% e os 0,25%. Mas diz que a covid-19 coloca "riscos consideráveis" e voltou a dizer que usará todas as suas ferramentas para ajudar a economia.

Carla Pedro cpedro@negocios.pt 29 de Julho de 2020 às 19:36
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A Reserva Federal norte-americana manteve a taxa de juro diretora num intervalo entre 0% e 0,25%, tal como se esperava, uma vez que o seu presidente, Jerome Powell (na foto), já disse várias vezes que não considera adequado partir para um cenário de juros negativos.

O banco central sublinha, no seu comunicado desta quarta-feira, à semelhança do que tem vindo a dizer, que a covid-19 "coloca riscos consideráveis" ao panorama económico no médio prazo" e que a taxa dos fundos federais se manterá em torno de zero até a Fed "estar confiante de que a economia suportou os recentes acontecimentos e que está a caminho de alcançar as suas metas de máximo emprego e de estabilidade dos preços".

"A trajetória da economia dependerá significativamente do rumo do vírus", sublinhou o Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) da Fed no comunicado divulgado após a reunião de dois dias.

A atividade económica e o emprego, após fortes quedas, "melhorou ligeiramente nos últimos meses, mas continua abaixo dos níveis do início do ano", refere o documento.

A votação para manter os juros diretores entre 0% e 0,25% foi unânime.

O FOMC reiterou também o seu compromisso de aumentar nos próximos meses as compras de dívida soberana e de títulos endossados a hipotecas "pelo menos ao ritmo atual".

O comunicado não faz referência a qualquer ligação entre o rumo dos juros e os limiares da inflação e do desemprego, com os economistas à espera que isso seja mencionado em setembro, sublinha a Bloomberg.

Powell disse, em conferência após a divulgação do comunicado, que a Fed verificou alguns indicadores atípicos da atividade económica, como os gastos nos cartões de crédito e de débito, crescimento do emprego nas pequenas empresas, taxa de ocupação hoteleira, bem como compras nos restaurantes, farmácias e salões de beleza. "E todos eles contam a mesma história: está mau", refere a CNN.

"O que os dados nos mostram é que o ritmo da retoma parece ter desacelerado desde que os casos de covid-19 começaram a aumentar, em junho", declarou o presidente da Fed. "No geral, os dados parecem apontar para um abrandamento no ritmo da retoma". Frisou Powell.

Num outro comunicado, a Fed diz que alargou os seus contratos de swaps para assegurar liquidez em dólares e ampliou as operações de liquidez temporária (repo – acordos de recompra para que as instituições financeiras se financiem junto de outros bancos ou do banco central no que diz respeito às suas necessidades de curto prazo) até 31 de março.

Powell tinha declarado que o corte de 25 pontos base da taxa dos fundos federais anunciado em julho do ano passado – o primeiro em mais de 10 anos – não seria o início de um longo ciclo de descidas. Mas em setembro voltou a descer os juros diretores e voltou a fazê-lo na reunião de política monetária de outubro. Em dezembro já não lhes mexeu e este ano também não.

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