Política Monetária Fed prepara mercado para descida de juros

Fed prepara mercado para descida de juros

A Fed deixou a postura "paciente" que mantinha desde o final do ano passado. Powell assumiu que o cenário de uma política mais acomodatícia se fortaleceu.
Sara Antunes 19 de junho de 2019 às 19:08
A Fed decidiu manter as medidas monetárias inalteradas no intervalo entre 2,25 e 2,5% na reunião que terminou esta quarta-feira, 19 de junho. Algo que era já esperado pelos investidores. As dúvidas e os anseios estavam sobre as pistas sobre o futuro da política monetária. 

Os responsáveis fizeram "saltar" do texto o termo "paciente" e oito membros admitem que as taxas de juro podem descer este ano, questões que estão a ser interpretadas como um preparar do mercado para um cenário de descida de juros nos EUA. Mesmo antes desta reunião, os investidores estavam já a antecipar que a Fed cortasse os juros na reunião de julho. Após serem conhecidas as perceções dos responsáveis da Fed, os contratos de futuros sobre as taxas de juro da Fed desceram para 2,1%, o que já desconta uma descida de 25 pontos base na taxa de referência do banco central. 

E o presidente da Fed, reafirmou esta perspetiva durante a conferência de imprensa que se seguiu à reunião. "O cenário para uma política um pouco mais acomodatícia fortaleceu-se." Powell disse ainda que a Fed está preparada para usar as ferramentas necessárias para ajudar no crescimento económico, voltando assim a garantir que a autoridade estará pronta a responder no caso de a economia precisar.

Powell admitiu mesmo que os dados estatísticos apontam, pela primeira vez, para um cenário de descida de juros, reforçando assim a crença de que a Fed vai mesmo avançar para uma política "mais acomodatícia". Isto apesar de o presidente da Fed ser cauteloso, salientando a necessidade de se avaliar a informação económica disponível, evitando que se atue de forma prematura. 

A decisão de manter os juros inalterados na reunião de hoje não foi unânime, com o presidente da Fed de St. Louis, James Bullard a defender a descida em 25 pontos base na taxa de referência. A Bloomberg realça que este foi o primeiro "dissidente" desde que Powell assumiu a presidência da Fed. 


Quanto ao futuro, dos 17 membros da Fed, oito defendem que os juros deverão descer até ao final do ano, oito antecipam que os juros deverão manter-se no nível atual e apenas um ainda antecipa uma subida de juros. 

A Fed adianta, no comunicado publicado após o final da reunião, que as incertezas aumentaram, a atividade económica moderou o seu ritmo, apesar de ter mantido a previsão de crescimento da economia americana em 2,1% este ano.

"As incertezas aumentaram", admite a Fed, e, "à luz dessas incertezas e de pressões nulas de inflação, o Comité vai monitorizar de perto as implicações da informação que vai chegando sobre as perspetivas económicas e vai atuar de forma apropriadas para sustentar a expansão", garante o banco central liderado por Powell.

Os mercados refletiram de imediato. Assim que saiu o comunicado sobre a decisão e a expectativa para o futuro, onde já se abria a porta à descida de juros, as bolsas saíram do terreno negativo e alguns índices, como o Nasdaq, chegaram a subir mais de 0,5%. Já o dólar acentuou a queda contra as principais divisas mundiais. Contudo, à medida que os investidores foram digerindo a informação e o Powell falou, começou a especular-se que uma descida de juros poderá não ser já em julho, o que levou a que as bolsas moderassem os seus ganhos. 


(Notícia atualizada, pela última vez, às 19:58 com mais informação)



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