Política Monetária Fed volta a admitir subir ou descer juros ainda este ano

Fed volta a admitir subir ou descer juros ainda este ano

As atas da última reunião da Reserva Federal dos EUA mostram alguma flexibilidade no esperado "ano de paciência" em matéria de política monetária. Mas há quem defenda que ainda se suba os juros este ano. Ou que se desça, se os dados económicos e outros acontecimentos o justificarem.
Fed volta a admitir subir ou descer juros ainda este ano
Reuters
Carla Pedro 10 de abril de 2019 às 19:34

Os responsáveis pela política monetária da Reserva Federal (Fed) debateram, na reunião de 19 e 20 de março, as "significativas incertezas" e a inflação persistentemente baixa, enquanto se debruçavam sobre possíveis mexidas na taxa de juro diretora.

 

E apesar de nessa reunião terem admitido a possibilidade de já só voltarem a subir juros em 2020, as atas revelam que alguns responsáveis defendem que se subam já em finais deste ano no caso de o crescimento económico continuar acima do ritmo tendencial de longo prazo. Mas houve também quem sublinhasse que os juros poderão mexer em qualquer um dos sentidos - para cima ou para baixo -, com base nos próximos dados económicos e outros desenvolvimentos. Contudo, a maioria aponta para um status quo nas taxas diretoras até ao final do ano. Ou seja, a incerteza é tanta que há estimativas "para todos os gostos".

 

Apesar de, a haver mexida, esta poder ser para cima, o panorama económico pode mudar de tal forma que em vez de uma subida a Fed possa decidir-se por uma descida. Tudo vai depender do crescimento da economia, com os dados do emprego e da inflação a terem grande peso.

 

A Fed iniciou a normalização monetária com uma economia mais robusta, mas tem sempre reiterado que a subida dos juros deve ser a adequada para sustentar um mercado de trabalho sólido e a inflação em torno dos 2%. Ora, com o atual abrandamento económico, a postura também se tornou mais branda.


No final de janeiro, a entidade liderada por Jerome Powell mudou substancialmente a linguagem do seu discurso. Não só não disse quantas vezes previa mexer nos juros este ano, como também abriu a porta a que a próxima mexida pudesse ser para cima ou para baixo.

 

Esta postura "mais paciente" defendida pela Fed norte-americana levou a que muitos economistas e outros intervenientes colocassem a hipótese de já nem haver aumentos de juros no resto do ano, se bem que a probabilidade mais apontada seja a de uma subida.

 

Nessa altura, o banco central norte-americano não só se decidiu por um ‘status quo’ em matéria de juros como também deixou a indicação de que iria ser "paciente" na alteração da política monetária no futuro – indicação essa que tem vindo a ser reiterada.

 

Foi aí que a Fed mudou substancialmente o seu discurso, pois costuma sinalizar o número de mexidas na taxa diretora. Além disso, deixou cair a expressão "algumas subidas adicionais" nas taxas de juro e abriu a porta a que a próxima mexida pudesse ser para cima ou para baixo. 

 

Entretanto, na reunião de março o banco central norte-americano manteve, sem grandes surpresas, a taxa dos fundos federais no intervalo entre 2,25% e 2,5% (intervalo para o qual tinha subido os juros no passado dia 19 de dezembro), e sinalizou que não haveria subidas este ano, podendo haver um aumento em 2020. Isto muito à conta da desaceleração da economia dos EUA.

 

Agora, com a divulgação das atas dessa reunião, ficou a saber-se que há já quem defenda uma nova subida ainda este ano.

 

A estimativa média da Fed, no mês passado, apontava para zero subidas este ano, contra uma projeção de dois aumentos que tinha sido feita em dezembro passado.

 

 




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