Política Monetária Fed debateu aumento dos juros em Abril mas vários governadores opuseram-se

Fed debateu aumento dos juros em Abril mas vários governadores opuseram-se

As minutas da Reserva Federal divulgadas esta quarta-feira mostram que em Março foi debatido um novo aumento dos juros já em Abril. Vários governadores opuseram-se, enquanto outros consideram "necessária" a subida dos juros.
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David Santiago 06 de abril de 2016 às 19:51

A Reserva Federal dos Estados Unidos divulgou esta quarta-feira, 6 de Abril, às 19:00 de Lisboa, as minutas relativas ao encontro mensal que decorreu entre 15 e 16 de Março e que mostram que nessa reunião foi discutida a possibilidade de a Fed decretar um novo aumento da taxa de juro directora já no encontro a realizar no presente mês de Abril. Contudo, essa decisão acabou por não ser tomada pela instituição liderada por Janet Yellen.

 

Depois de em Dezembro do ano passado a Fed ter elevado o custo do dinheiro nos Estados Unidos pela primeira vez desde 2006, permanece vivo o debate sobre a altura que a autoridade monetária norte-americana vai escolher para determinar um novo aumento.

 

Desde o início de 2016, vários governadores da Fed têm reiterado que a instituição pretende continuar a aumentar os juros de forma progressiva, embora tenham vindo a salientar que os sinais de abrandamento da economia global e a forte volatilidade nos mercados internacionais sentida no início do ano são também factores a levar em linha de conta.

 

Ainda assim, as minutas hoje reveladas mostram uma divisão entre os elementos que integram o conselho de governadores da instituição. "Vários expressaram a visão de que uma abordagem cautelosa face a aumentos das taxas [de juro] seria prudente", referem as minutas onde pode ler-se que ficou também demonstrada "preocupação" face à possibilidade de subidas dos juros já em Abril poder "enviar um sinal de urgência que eles não consideraram apropriado".

 

Segundo a agência Bloomberg, o facto de ter sido adiada uma eventual nova subida dos juros irá fazer incidir ainda mais o foco dos investidores e dos mercados no encontro de Junho.

 

Para já a autoridade chefiada por Yellen decidiu, em Março, manter inalterada a taxa de juro directora no intervalo entre 0,25% e 0,5%, depois de avaliarem os sinais de relativa saúde da economia norte-americana, que contrastam com os persistentes riscos associados à economia global, designadamente os sinais de abrandamento das economias da China bem como de outros mercados emergentes.

 

Os governadores da Fed mostram ainda preocupação perante a possibilidade de o abrandamento da economia global poder determinar uma redução nos níveis de investimento empresarial e consequente redução das exportações das empresas norte-americanas.

 

Por outro lado, e em oposição à maior parte dos governadores, outros dos elementos da Fed defenderam que o aumento dos juros "pode ser necessário" já na reunião que decorrerá nos próximos dias 26 e 27 de Abril.

 

As minutas referem ainda que alguns governadores salientaram os sinais positivos dados pelo mercado de trabalho dos Estados Unidos e também os sinais de aumento da taxa de inflação. Tendo em conta que a taxa de desemprego de 5% registada em Março está já próxima da meta de longo prazo definida como ideal pela Fed e que são cada vez mais os indicadores a demonstrar que a inflação começa finalmente a subir, os governadores da autoridade monetária dos Estados Unidos acreditam que se aproxima a altura de elevar os juros. 




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